EUA dizem que arsenal nuclear do Paquistão está sob controle

Aliado dos EUA na luta contra a Al-Qaeda, país está imerso em crise política após assassinato de Benazir Bhutto

Efe,

28 de dezembro de 2007 | 23h48

As armas nucleares possuídas pelo Paquistão estão sob controle do Governo e em mãos seguras, segundo afirmou nesta sexta, 28, um porta-voz do Pentágono.O Paquistão, um aliado dos EUA na luta contra a Al-Qaeda, está imerso em uma grave crise política depois do assassinato da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, ocorrido poucos dias antes da realização de suas eleições legislativas."Apesar desta situação, nossa avaliação é de que o arsenal nuclear paquistanês está sob controle. Neste momento não temos necessidade de nos preocupar", disse o coronel Gary Keck.Keck tinha feito afirmações similares em novembro, quando o presidente paquistanês, Pervez Musharraf, declarou estado de sítio em meio a manifestações violentas e detenções de centenas de opositores.Alguns especialistas apontaram o risco de que a instabilidade no Paquistão permita que o controle das armas atômicas caia em mãos de diferentes facções dos serviços de Inteligência ou das Forças Armadas paquistanesas, ou ainda de grupos ligados à Al-Qaeda.O Paquistão iniciou seu programa de armas nucleares em 1972, sob a condução de Zulfiqar Ali Bhutto - o pai de Benazir Bhutto -, que era então ministro de Combustível, Energia e Recursos Naturais do país, e depois foi presidente e primeiro-ministro.Em 1974, a Índia levou a cabo o seu primeiro teste atômico, o que deu maior ímpeto ao programa nuclear paquistanês, que, sob a condução de Abdul Qadir Khan, empregou uma rede clandestina para a obtenção dos materiais e da tecnologia necessária para o desenvolvimento da capacidade de enriquecimento de urânio.Em 1985, os cientistas e técnicos paquistaneses alcançaram a capacidade para a produção de urânio enriquecido ao grau necessário para uma arma atômica, e no ano seguinte tinham material físsil suficiente para uma bomba atômica.Em 28 de maio de 1998, o Paquistão anunciou que tinha testado com sucesso cinco artefatos nucleares com um rendimento total de até 40 quilotons. Dois dias depois, indicou que tinha testado outra bomba atômica, com um rendimento de 12 quilotons.O Conselho de Defesa de Recursos Naturais dos Estados Unidos calcula que o Paquistão tenha construído entre 24 e 48 ogivas nucleares com urânio altamente enriquecido.O Instituto Carnegie, também dos EUA, calcula que o Paquistão tenha produzido entre 585 e 800 quilogramas de urânio altamente enriquecido, o que é suficiente para fazer entre 30 e 55 ogivas.

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