EUA dizem que ataque de regime sírio a Alepo é 'prego no caixão de Assad'

Pressão. Segundo dia da ofensiva militar contra rebeldes na segunda cidade do país é marcado por declaração do secretário de Defesa americano, Leon Panetta, que começou ontem viagem de cinco dias ao Oriente Médio para defender a queda de ditador

ANDREI NETTO, ENVIADO ESPECIAL / MAREA, SÍRIA, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2012 | 03h01

No segundo dia de bombardeio do regime sírio a Alepo, segunda mais importante cidade do país, o secretário de Defesa dos EUA, Leon Panetta, afirmou que a ofensiva representa "um prego no caixão de Assad". O principal alvo de helicópteros e tanques ontem foi o bairro rebelde de Salahedine. Pelo menos 60 pessoas morreram em combates no país, entre os quais 24 civis, nove rebeldes e 19 militares, em Al-hasaka, Homs, Deraa e Idlib.

Sem dar indicações de que apoia uma intervenção militar, Panetta comentou a ofensiva iniciada no sábado por Assad em Alepo, polo econômico do país. Disse que a ação é "um trágico ataque contra seu próprio povo".

"Isso será o prego no caixão de Assad", completou Panetta, no avião com o qual começou ontem uma viagem de cinco dias por Tunísia, Egito, Israel e Jordânia. Ele insistirá com os governantes desses países que Assad deve deixar o poder.

A ofensiva contra Alepo, considerada determinante por ambos os lados, não abalou o domínio dos insurgentes sobre diversas regiões da cidade. Combates e atividade de atiradores de elite foram registrados na capital e em vilarejos da Província de Alepo, em Al-Farkan, Manbaj e em Talahran, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos.

Em Alepo, os enfrentamentos deixaram seis rebeldes mortos. No início da manhã, os bombardeios se concentraram na região sudoeste da cidade, em Salahedine, mas também em Bab al-Nasr e Bab al-Hadid, dois bairros nas imediações da cidadela, sítio histórico tombado. No sábado, primeiro dia da ofensiva, os rebeldes dizem ter destruído nove tanques, freando a invasão por terra, que veio acompanhada de ataques por helicópteros e pelo monitoramento por caças.

Ontem, a intensidade do combate caiu. De acordo com Yasser A., um dos coordenadores da resistência na vizinha Marea, a decisão de parar a ofensiva por algumas horas não significa que a batalha esteja encerrada - pelo contrário. "Parar o bombardeio pode ser só uma forma de dar um tempo para a população civil fugir. Eles fizeram isso em Homs e outras cidades quando atacaram", disse.

Centenas de famílias continuaram a abandonar ontem Alepo - segundo a ONU, mais de 200 mil habitantes teriam se refugiado no interior ou nos países vizinhos.

Em uma reunião com autoridades do Irã, o chanceler sírio, Wallid Mouallem, afirmou que as forças leais ao regime de Assad vão dominar a cidade. "As forças contrárias à Síria se reuniram em Alepo para lutar contra o governo e elas serão sem dúvida vencidas", disse ele, acusando governos do Catar, da Arábia Saudita e da Turquia de "impedir o fim dos enfrentamentos". "A Síria é alvo de um complô mundial cujos agentes são os países da região."

Em outras cidades "liberadas" da Província de Alepo, a convicção é contrária. Em Marea, 40 quilômetros ao norte da capital regional, onde à noite rebeldes manifestaram-se em uma praça, as forças do regime se refugiam em um quartel e jovens ativistas jogam futebol à noite sem ser importunados. Na cidade, a confiança é grande de que será possível manter o controle da metrópole síria. "Talvez tenha havido um choque em Salahadine, mas várias outras áreas seguem sob o controle dos rebeldes", disse Luai Al-Najar, estudante de 22 anos. "É apenas uma questão de tempo. O mais forte grupo do Exército Livre da Síria (ELS) está em Alepo neste momento. Eles têm treinamento e boas armas. Creio que é possível vencer." / COM AP

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