EUA dizem que ativista cego quer sair da China

O ativista chinês Chen Guangcheng, que se refugiou na embaixada dos Estados Unidos em Pequim e deixou o local na quarta-feira para receber tratamento médico, disse aos diplomatas norte-americanos que agora quer ir para fora do país, rejeitando o acordo que supostamente daria a ele segurança no território chinês.

AE, Agência Estado

03 Maio 2012 | 12h17

Poucas horas depois de Chen deixar a embaixada e seguir para o hospital, onde se encontrou com a família, ele começou a dizer a amigos e aos meios de comunicação estrangeiros que queria sair da China.

Surpreendidos pela reversão dos fatos, autoridades do Departamento de Estado conversaram duas vezes pelo telefone com Chen e reuniram-se com sua mulher e os dois expressaram a vontade de deixar o país.

"Eles mudaram de ideia sobre a hipótese de ficar na China", disse a porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland, aos jornalistas. Ela, porém, não chegou a dizer se Washington vai tentar reabrir as negociações para levar Chen para o exterior caso Pequim concorde. "Nós ainda precisamos consultá-los para entendermos melhor o que eles querem e considerar suas opções", disse Nuland.

O destino ainda incerto de Chen ameaça abalar ainda mais a confiança entre Washington e Pequim, num momento em que ambos os governos tentam conter a disputa cada vez mais forte para exercer influência mundial. O caso estava no ar durante a abertura, nesta quinta-feira, dos dois dias de conversações sobre temas globais políticos e econômicos com a participação da secretária de Estado Hillary Clinton, do secretário do Tesouro Timothy Geithner, e de seus homólogos chineses.

Chen permanecia no hospital, que estava cercado por visível presença policial. Advogado autodidata, Chen, de 40 anos, passou a maior parte dos últimos sete anos na prisão ou em prisão domiciliar, no que é visto como uma retaliação das autoridades locais por sua luta contra abortos forçados e outros delitos cometidos por funcionários do governo.

O objetivo de Chen, segundo ele disse às autoridades norte-americanas, era assegurar a segurança de sua família e permanecer na China. Segundo acordo negociado durante dias, ele deveria se encontrar com sua família e ser transferido para um local longe de sua província natal, para uma cidade universitária onde poderia estudar direito.

Mas, mais tarde no hospital, Chen sentiu-se abandonado pelos Estados Unidos ao perceber que não havia nenhum funcionário da embaixada para assegurar sua proteção. As informações são da Associated Press.

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