Victor J. Blue/The New York Times
Victor J. Blue/The New York Times

Para EUA, bombardeio a hospital do MSF foi combinação de erros humanos e técnicos

Informações foram obtidas a partir de uma investigação interna do Pentágono; relatório de quase 3 mil páginas será revelado nesta quarta-feira no Afeganistão

O Estado de S. Paulo

25 de novembro de 2015 | 09h56

WASHINGTON - Uma combinação de erros humanos e técnicos provocou o bombardeio dos EUA a um hospital da organização Médicos sem Fronteiras (MSF) na cidade de Kunduz, no Afeganistão. A informação foi obtida a partir de uma investigação interna do Pentágono que será divulgada nesta quarta-feira, 25, mas que foi antecipada pelo jornal The New York Times.

Um funcionário do alto escalão do Pentágono, que falou sob condição de anonimato, disse ao jornal americano que o ataque equivocado ocorreu em razão de uma "combinação de fatores".

As descobertas do relatório de quase 3 mil páginas elaborado pelo Pentágono sobre o bombardeio do dia 3 de outubro, no qual morreram 30 pessoas, em sua maioria médicos e pacientes do hospital, serão reveladas hoje em um evento no Afeganistão.

Segundo fontes militares consultadas pelo The New York Times, o helicóptero de combate das Forças Especiais dos EUA que liderou a operação tinha a intenção de atacar uma instalação usada como centro de operações dos talibãs em Kunduz.

A tripulação do helicóptero não conseguiu localizar o prédio por meio das coordenadas recebidas e se baseou na descrição oferecida no terreno por tropas afegãs e militares americanos. Com base nessas informações, o hospital do MSF foi bombardeado equivocadamente.

O ataque aéreo ocorreu na contraofensiva das tropas afegãs para recuperar a cidade de Kunduz das mãos dos talibãs. A invasão foi a maior conquista militar dos insurgentes desde o fim de seu regime, após a invasão dos EUA em 2001.

O presidente americano, Barack Obama, pediu desculpas à organização, e a Comissão Internacional Humanitária de Genebra iniciou uma investigação independente.

O Pentágono, por sua vez, admitiu que o bombardeio ao hospital foi um "erro" que passou pela cadeia de comando americano. /EFE

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