REUTERS/Jorge Cabrera
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EUA dizem que Colômbia descuidou da luta contra as drogas para alcançar a paz

Para o secretário de Estado adjunto para Segurança e Luta Antidrogas, William Brownfield, governo de Juan Manuel Santos 'concluiu que para chegar a um acordo de paz de sucesso, precisava das Farc em temas relacionados com drogas'

O Estado de S.Paulo

12 Setembro 2017 | 16h53

WASHINGTON - Os Estados Unidos acreditam que o governo do presidente colombiano, Juan Manuel Santos, descuidou da luta contra o narcotráfico nos últimos seis anos para alcançar um acordo de paz com a ex-guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), o que, a seu julgamento, provocou um alarmante aumento na produção de cocaína.

O secretário de Estado adjunto dos EUA para Segurança e Luta Antidrogas, William Brownfield, formulou esta consideração durante uma audiência sobre a Colômbia em uma comissão do Senado dedicada a supervisionar os programas contra o narcotráfico que o Governo americano tem em outros países.

"É a minha crença pessoal que o Governo da Colômbia e o seu presidente, um homem que admiro e respeito e durante dez anos considerei um amigo, se concentraram nos últimos seis anos incomodamente nas negociações de paz, nos acordos de paz", considerou Brownfield.

"Acredito que focando sua atenção nisso, por definição, focaram menos no tema de drogas e de narcotráfico. E, além disso, acredito que concluíram que para chegar a um acordo de paz de sucesso, eles precisavam das Farc em temas relacionados com as drogas", acrescentou Brownfield.

Ainda que tenha apoiado os acordos de paz, criticou a decisão de 2015 do governo de Santos de acabar com a fumigação aérea dos cultivos de coca, bem como sua iniciativa para reduzir a erradicação manual em áreas controladas pelas Farc para diminuir as possibilidades de conflito durante as negociações.

Fruto dos acordos de paz assinados em novembro de 2016, o governo colombiano iniciou um Programa de Substituição Voluntária de Cultivos Ilícitos (PNIS), que beneficiará 110 famílias camponesas e procura substituir 50 mil hectares de cultivos ilegais durante o primeiro ano de sua implementação.

O governo dos EUA não apoia esse programa de erradicação voluntária porque as Farc estão envolvidas em algumas partes desse processo e a antiga guerrilha segue sendo considerada pelos Estados Unidos uma organização terrorista, uma designação que implica sanções para seus líderes.

A respeito, Brownfield acusou as Farc de terem capturado "esse processo" e de impedir, em algumas zonas, que os camponeses negociem individualmente com o governo a substituição de cultivos.

"A minha crença é que as Farc criaram várias frentes para os cultivos de coca, o governo está negociando com esses grupos e não alcançamos os resultados que queremos", disse Brownfield, que assegurou que a antiga guerrilha está criando essa situação no sul da Colômbia.

No norte, no entanto, segundo Brownfield, as negociações do governo da Colômbia ocorrem diretamente com os camponeses. "A solução a este problema é saber como isolar as Farc e tirá-la de qualquer interação, seja como organização de tráfico de drogas ou como supostamente grupo que ajuda nos esforços para abordar o tema das drogas", apontou o funcionário americano.

"A solução a longo prazo - acrescentou - é usar todos os instrumentos que temos, usá-los melhor, colaborar mais com os outros atores da região e encontrar a tecnologia e as táticas para vencê-los."

Em 2016, os cultivos ilícitos de coca na Colômbia alcançaram a cifra recorde de 188 mil hectares, com uma produção potencial de cocaína de 710 toneladas métricas, segundo a Casa Branca. Vários legisladores americanos propuseram diminuir a ajuda à Colômbia devido a esse aumento. / EFE

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