EUA dizem que estão em diálogo com grupos insurgentes

O embaixador dos Estados Unidos no Iraque, Zalmay Khalilzad, disse que representantes americanos estão realizando conversações com alguns grupos ligados à insurreição iraquiana liderada pelos sunitas. Khalilzad disse, em entrevista à BBC, que acredita que as conversações tiveram um impacto, já que houve uma diminuição de ataques de militantes iraquianos a soldados americanos. Mas ele destacou que não negociaria com "sadamistas" e "terroristas" que buscam uma guerra contra a civilização. Khalilzad advertiu que ainda há um risco real de uma guerra civil no Iraque. O embaixador americano não especificou com que grupos os Estados Unidos travaram contato, mas "sadamistas" costuma ser uma referência a integrantes da Al-Qaeda, como o militante jordaniano Abu Mussab al-Zarqawi. Khalilzad disse, contudo, que milícias, que ele qualificou como a infra-estrutura da guerra civil, são um problema tão grande quanto eles. "Graves conseqüências" O representante americano é visto como um dos arquitetos da decisão do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, de derrubar o regime de Saddam Hussein, há três anos. Mais do que a maioria dos funcionários do governo americano, Khalilzad está disposto a admitir que as coisas não saíram como o planejado em relação à ocupação do Iraque. O risco de guerra sectária no Iraque vai persistir, se divisões étnicas entre os curdos e a população de maioria árabe aumentarem, disse o embaixador americano. Ele advertiu que isso pode se transformar em um conflito regional mais amplo. Khalilzad ainda disse que "o Iraque tem que dar certo". "Não fazer tudo o que é humanamente possível para fazer com que esse país funcione terá as mais graves conseqüências para os iraquianos, com certeza, mas também para a região e para o mundo?, afirmou. Quatro meses após as eleições e com as conversas sobre a construção de um novo governo iraquiano paralisadas, o embaixador disse que a paciência da comunidade internacional em relação aos políticos locais está se esgotando. Zalmay Khalilzad, que nasceu no Afeganistão, foi o embaixador dos Estados Unidos no país antes de assumir o posto no Iraque. Quando perguntado se o Iraque poderia produzir um líder político que superasse as diferenças étnicas e políticas no país, assim como o presidente afegão, Hamid Karzai, o embaixador Khalizad disse que tal feito seria "valioso".

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