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EUA dizem que há base legal para Rússia entregar Snowden

Washington e Moscou não têm acordo de extradição; Putin quer que ele deixe 'logo' o país

O Estado de S. Paulo,

25 de junho de 2013 | 16h02

O governo americano afirmou nesta terça-feira, 25, que a Rússia tem base legal para expulsar o ex-técnico da CIA Edward Snowden, procurado por vazar segredos de espionagem de Washington. Mais cedo, o presidente Vladimir Putin confirmou que a fonte da reportagem do jornal The Guardian sobre o monitoramento de telefonemas e redes sociais está na área de imigração do Aeroporto de Moscou e não pode ser extraditado para os EUA.

Segundo a porta-voz do Conselho de Segurança Nacional  Caitlin Hayden, a falta de um tratado de extradição não impede que Snowden seja enviado para os EUA. Ainda de acordo com a porta-voz, o governo americano e Putin concordam que o episódio não pode ter um impacto negativo nas relações bilaterais.

"Apesar de não haver um acordo, há uma clara base legal para expulsá-lo", disse. "Por isso, estamos pedindo para o governo russo expulsar Snowden sem demoa, com base na forte cooperação que temos tido sobretudo desde os atentados de Boston."

Por não ter passado pelos trâmites de imigração, tecnicamente Snowden não está em território russo.  "Será melhor para ele e para a Rússia que decida seu destino o quanto antes", disse Putin.

Pela manhã, o chanceler Sergei Lavrov tinha rejeitado qualquer  responsabilidade de Moscou pela tentativa do ex-técnico da CIA de fugir da Justiça americana. Ele chamou as acusações feitas por Washington "infundadas e inaceitáveis".

Ele escolheu o seu itinerário por conta própria. Nós fomos informado sobre isso a partir da mídia. Ele não cruzou a fronteira com a Rússia", disse Lavrov, em  Moscou. "Consideramos que as tentativas de acusar a Rússia de violar as leis norte-americanas, e praticamente de envolvimento em uma conspiração, são absolutamente infundadas e inaceitáveis."

Snowden, que pediu asilo político ao governo do Equador, fugiu de Hong Kong para Moscou no domingo e está em destino incerto. Esperava-se que ele embarcasse ontem para Cuba, onde pegaria um novo avião para Quito, mas o voo da companhia russa Aeroflot com destino a Havana decolou sem ele.

De Londres, onde está refugiado na embaixada equatoriana, o fundador do WikiLeaks, Julian Assange - que garante estar ajudando Snowden - disse que a fonte dos vazamentos está são e salvo, a caminho do Equador por meio de uma rota "segura" que inclui a Rússia e "outros países". Segundo o ativista australiano, o governo equatoriano concedeu a Snowden um salvo-conduto, documento que o permite viajar mesmo sem seu passaporte americano.

China. O governo chinês, por sua vez, chamou de infundadas as acusações de Washington de que Pequim ajudou o ex-técnico da CIA Edward Snowden a fugir de Hong Kong.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Hua Chunying, afirmou em entrevista coletiva que "não é razoável por parte dos Estados Unidos questionar a gestão de Hong Kong de seus assuntos de acordo com a lei".  "As acusações contra o governo central chinês não têm fundamento. China não pode aceitar", criticou Hua. / EFE. AP e REUTERS

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