EUA dizem que insurgentes iraquianos se autofinanciam

A insurgência no Iraque se autofinancia atualmente, principalmente através do contrabando do petróleo e dos resgates por seqüestros, e deixou de depender da ajuda econômica vinda do exterior, segundo um relatório do Governo dos EUA publicado pelo jornal The New York Times. Em sua edição deste domingo, o jornal nova-iorquino afirma que os insurgentes sunitas conseguem cerca de US$ 200 milhões ao ano de diversas maneiras, entre elas a falsificação de dinheiro, contribuições de organismos islâmicos e o desvio de fundos estatais, além do contrabando de petróleo e os resgates pagos por países como a França ou Itália por seqüestrados de algum de seus cidadãos. Esta versão provém de um relatório que foi preparado por uma comissão do governo americano presidida por Juan Zárate, vice-conselheiro de Segurança Nacional para Assuntos do Terrorismo, segundo um funcionário cuja identidade não foi revelada e citado pelo The New York Times. Só os resgates cobrados pelos insurgentes pela libertação de seqüestrados ocidentais podem chegar aos US$ 36 milhões ao ano, diz o relatório. O jornal americano lembra que, em dezembro de 2004, a França pagou vários milhões de dólares pela libertação de dois repórteres franceses. Além disso, a Itália pagou nesse mesmo ano uma elevada quantia pelo resgate de duas mulheres que trabalhavam em operações humanitárias, além de desembolsar, em março de 2005, outros US$ 5 milhões para conseguir a libertação de Giuliana Sgrena, correspondente do jornal romano Il Manifesto. O New York Times afirma que a receita máxima calculada da insurgência, de cerca de US$ 200 milhões ao ano, é uma bagatela se for levada em conta que essa é a mesma quantia gasta pelos Estados Unidos por dia para manter suas tropas e sua logística no Iraque. No entanto, e segundo outros cálculos, a receita da insurgência poderia ser muito maior se forem levadas em conta as previsões do Ministério do Petróleo iraquiano. Segundo o departamento, do total do petróleo importado este ano pelo Iraque para o consumo geral, com um valor entre US$ 4 e US$ 5 bilhões, entre 10% e 30% sai do país clandestinamente para sua venda ilegal no exterior. O relatório, preparado por uma comissão do Governo de EUA com as contribuições de representantes de vários departamentos, indica que os fundos que os dirigentes do regime de Saddam Hussein levaram do Iraque antes da invasão, em 2003, "já não supõem uma fonte importante para o financiamento de grupos terroristas ou insurgentes".

Agencia Estado,

26 Novembro 2006 | 14h36

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