ALEX HALADA / AFP
ALEX HALADA / AFP

EUA dizem que Irã faz 'chantagem nuclear' e Trump ameaça novas sanções

AIEA confirmou que o Irã ultrapassou tanto a quantidade (300 quilos) como a pureza (3,67%) do urânio enriquecido que o acordo de 2015 permite

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de julho de 2019 | 17h38

WASHINGTON - O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou nesta quarta-feira, 10, aumentar “substancialmente” e “em breve” as sanções contra o Irã em razão do programa nuclear de Teerã. Ao mesmo tempo, em uma reunião de emergência, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em Viena, representantes de seu governo acusaram os iranianos de fazerem “chantagem nuclear” com a comunidade internacional. 

“O Irã esteve ‘enriquecendo’ (urânio) em segredo por muito tempo, em uma violação total do terrível pacto de US$ 150 bilhões feito por (o ex-secretário de Estado) John Kerry e o governo Obama”, escreveu Trump em mensagem no Twitter.

“Lembrem-se, esse pacto ia expirar em poucos anos. As sanções em breve aumentarão, substancialmente!”, completou.

Na segunda-feira, um funcionário de alto escalão do governo americano, que pediu anonimato, já havia dito que os líderes iranianos estavam usando o enriquecimento de urânio acima do permitido pelo pacto multilateral de 2015 para “transformar o mundo inteiro em seu refém, mediante extorsão nuclear”. 

“O Irã não tem uma razão crível para ampliar seu programa nuclear e não há outra forma de interpretar isso além de uma crua e transparente tentativa de chantagear a comunidade internacional”, denunciou Jackie Wolcott, embaixadora americana na AIEA.

Wolcott deu a declaração durante a reunião extraordinária da Junta de Governadores dessa agência da ONU, convocada por Washington após o Irã ultrapassar os limites impostos ao seu programa atômico no acordo assinado em 2015 com Alemanha, França, Reino Unido, Rússia, China e EUA, país que deixou o pacto no ano passado.

A AIEA confirmou que o Irã ultrapassou tanto a quantidade (300 quilos) como a pureza (3,67%) do urânio enriquecido que o acordo permite.

Após essa confirmação, fontes diplomáticas informaram à agência EFE que a última análise indica que a pureza do urânio já teria chegado a 4,5%, um dado que ainda não foi verificado pela AIEA.

Superar a pureza de 3,67%, na qual o urânio é utilizável somente para fins civis, não significa se aproximar imediatamente dos 90% necessários para fabricar uma bomba, mas representa um salto no complicado processo técnico de enriquecer urânio para fins militares.

'Paz mundial'

Durante seu discurso hoje na reunião da agência, Wolcott denunciou que a atitude iraniana é uma ameaça para a paz mundial e pediu ao país que abandone essa estratégia.

Além disso, a embaixadora americana pediu aos outros 34 integrantes da Junta de Governadores que exijam que o Irã se envolva “imediatamente em negociações para uma solução diplomática e pacífica”. 

Durante a reunião da agência, Rússia e Irã ironizaram a vontade dos EUA de ver Teerã respeitar o acordo de 2015, após o país ter deixado o pacto no ano passado. “É tristemente irônico que essa reunião tenha sido organizada a pedido dos EUA, o regime por trás da situação atual”, disse o embaixador do Irã na AIEA, Kazem Gharib Abadi.

Para o representante russo, Mikhail Ulyanov, depois de julgá-lo “horrível”, Washington hoje demonstra que está “ciente da importância” do acordo. / EFE, AFP e REUTERS 

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