MK Chaudry/Efe
MK Chaudry/Efe

EUA dizem que matarão também Zawahiri

Departamento de Estado, no entanto, afirma que é 'irrelevante' quem comanda Al-Qaeda

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2011 | 00h00

Horas depois de a Al-Qaeda anunciar a escolha do egípcio Ayman al-Zawahiri para liderar a rede terrorista, as Forças Armadas dos EUA indicaram que pretendem matá-lo assim como fizeram com Osama bin Laden, seu antecessor. Já o Departamento de Estado disse ser irrelevante quem comanda a organização responsável pelos atentados de 11 de setembro de 2001.

Dizendo não haver surpresa na indicação do novo líder da Al-Qaeda, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas dos EUA, Mike Mullen, afirmou que o egípcio e sua organização ainda ameaçam o país. "Da mesma forma que fizemos ao tentar capturar e matar Bin Laden, e nós conseguimos matá-lo, faremos com Zawahiri."

Durante entrevista coletiva, a porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland, tentou diminuir a importância da escolha do sucessor de Bin Laden. Segundo ela, "não importa quem comanda a Al-Qaeda, porque a organização é uma ideologia fracassada". "Se olharmos ao redor do mundo, os movimentos pacifistas fizeram muito mais pelo povo muçulmano do que a Al-Qaeda."

Na avaliação do governo americano, era esperado que Zawahiri assumisse formalmente o comando da rede terrorista. Alguns analistas concordam com a análise do Departamento de Estado e consideram irrelevante a indicação de Zawahiri. Em relatório divulgado ontem, a consultoria de risco político Stratfor afirma que a "Al-Qaeda perdeu a importância nos últimos anos".

Assim como dezenas de outros integrantes da organização, o egípcio está há mais de uma década na lista de terroristas procurados e era considerado uma ameaça para os EUA - mesmo antes dos atentados de 2001.

Terror no Iêmen. Seu perfil é conhecido dos serviços de inteligência americanos, que hoje estão mais preocupados com novos líderes extremistas, especialmente na Al-Qaeda da Península Arábica (AQPA), braço da rede terrorista que tem sua base no Iêmen.

A AQPA opera praticamente de forma independente do antigo centro de operações, localizado no Afeganistão e no Paquistão. Zawahiri, de acordo com analistas especializados em terrorismo, teria pouca influência sobre a organização.

Duas das principais tentativas de atentados contra os EUA nos últimos anos, em Detroit, em 2009, e em Times Square, em 2010, foram planejadas por líderes estabelecidos em território iemenita.

Mesmo depois da morte de Bin Laden, os EUA seguiram com sua campanha de ataques seletivos contra líderes da Al-Qaeda - tanto na Ásia Central como na Península Arábica. Na semana passada, Mohamed Ilyas Kashmiri, mentor dos atentados em Mumbai, em 2009, teria sido morto em uma ação americana no Paquistão. Vários militantes no Iêmen também teriam sido alvejados pelas forças dos EUA nos últimos dois meses.

"O vácuo de poder no Iêmen tem permitido que Al-Qaeda cresça cada vez mais", disse Christopher Boucek, do Carnegie Endowment for International Peace. No Paquistão, o governo americano enfrenta sua maior crise nas relações com Islamabad desde o 11 de Setembro. O cenário se agravou depois da operação para matar Bin Laden. Hoje, predomina a desconfiança mútua entre os dois países.

Crise. "O Paquistão é complexo, com uma série de desafios. No entanto, conforme dissemos várias vezes, os EUA possuem um profundo interesse nacional em trabalhar com o Paquistão no combate ao terrorismo", afirmou a porta-voz do Departamento de Estado, tentando evitar mais polêmica nas relações com Islamabad.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.