Ivan Vucci / AP
Ivan Vucci / AP

EUA dizem que não informam à Síria ações contra o EI

Casa Branca e Pentágono reafirmaram que não há coordenação direta ou indireta com o governo de Bashar Assad

O Estado de S. Paulo

10 de fevereiro de 2015 | 21h03

WASHINGTON.- A Casa Branca garantiu nesta terça-feira, 10, que não coordenou com o governo sírio suas operações militares na Síria contra o grupo jihadista Estado Islâmico (EI), depois de o presidente do país, Bashar Assad, afirmou ter recebido informação sobre os bombardeios através de terceiras partes.

Em uma entrevista à rede de televisão britânica BBC, Assad garantiu que seu governo recebeu informação de maneira indireta, através de terceiras partes, como o Iraque, sobre as atividades que aviões de guerra dos Estados Unidos e de países árabes realizam.

O porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, se limitou a indicar que os Estados Unidos absolutamente não informam à Síria sobre suas operações militares. "Os Estados Unidos não coordenam suas ações com o governo sírio e não vamos fazê-lo", disse Earnest.


O porta-voz afirmou que a única exceção foi a notificação que os Estados Unidos deu ao executivo sírio ano passado, através de seu embaixador na ONU, que se preparava para iniciar bombardeios aéreos no território da Síria. "Mas nessa comunicação, deixamos claro que era responsabilidade do governo sírio se separar de nosso caminho", ou seja, não se envolver na campanha aérea aliada contra os jihadistas, acrescentou Earnest.

Desde então, "não houve nenhuma coordenação entre o governo dos EUA e da Síria" relacionada aos bombardeios da coalizão internacional contra o EI, indicou o porta-voz.

Assad garantiu que seu governo não quer dialogar com as autoridades americanas sobre o EI porque "eles não falam com ninguém, a menos que seja um títere", em referência aos líderes árabes que respaldam os ataques. No entanto, disse que outras partes "às vezes transmitem uma mensagem, uma mensagem geral, mas nada tático".

O porta-voz do Pentágono, o contra-almirante John Kirby, foi ainda mais direto e assegurou: "Não nos comunicamos direta ou indiretamente com o regime sírio em assuntos militares ou sobre operações militares" na Síria e no Iraque.

Kirby negou que essas notificações estejam sendo transmitidas pelos EUA voluntariamente através do Iraque, governo dominado por xiitas que mantém boas relações com Damasco e Teerã, da mesma filiação religiosa.

Os Estados Unidos mantém 2.300 soldados no Iraque para trabalhar conjuntamente com as forças iraquianas em assessoria e inteligência no combate contra o EI em seu território.

Os jihadistas se fortaleceram aproveitando o vazio de poder na Síria, onde o EI luta também contra as tropas fiéis a Assad. / EFE

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