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EUA dizem que política de 'uma só China' não deve ser usada como moeda de troca

Ainda hoje, a Casa Branca contrariou diretamente a fala de Trump sobre as investigações das agências de inteligência americanas que disseram que a Rússia estava por trás de ataques cibernéticos durante as eleições presidenciais

O Estado de S. Paulo

12 Dezembro 2016 | 20h23

WASHINGTON - A Casa Branca insistiu nesta segunda-feira, 12, que a política de "uma só China" praticada por Washington não deve ser usada como "moeda de troca" nas relações com Pequim, após o presidente eleito Donald Trump ter dito que os Estados Unidos não necessariamente têm de continuar com sua posição de longa data de que Taiwan é parte da China.

Sinalizando que Trump enfrentará ainda mais resistência em Washington se tentar modificar um princípio que sustentou as relações entre Estados Unidos e China, o senador republicano John McCain disse que apoia pessoalmente a "política sobre a China" e ninguém deveria "tirar conclusões" de que o presidente eleito a abandonaria.

"Eu não respondo a todos os comentários em nome do presidente eleito, porque podem ser revogados no dia seguinte" disse McCain à Reuters quando questionado sobre a declaração de Trump em uma entrevista à TV transmitida no fim de semana.

Trump desencadeou uma tempestade diplomática quando disse à Fox News: "Eu não sei por que temos de ficar presos a uma política de " China única" a menos que façamos um acordo com a China que tenha a ver com outras coisas, incluindo o comércio".

Isso se seguiu a um protesto anterior da China sobre a decisão do presidente eleito republicano de aceitar uma ligação telefônica da presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, em 2 de dezembro.

A questão é altamente sensível para a China, que considera Taiwan uma província renegada, e Pequim expressou "séria preocupação" com as últimas observações de Trump.

Alguns analistas americanos alertaram que Trump pode provocar um confronto militar se levar a questão de Taiwan muito adiante. Scott Kennedy, diretor do Projeto de Negócios e Políticas Econômicas Chinesas do Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais, em Washington, considerou Taiwan "o terceiro trilho das relações entre EUA e China". 

Interferência. Ainda hoje, a Casa Branca contrariou diretamente a fala de Trump sobre as investigações das agências de inteligência americanas que disseram que a Rússia estava por trás de ataques cibernéticos durante as eleições presidenciais.

O porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, criticou as afirmações de Trump, que afirmou que as avaliações das agências não são confiáveis. "São homens e mulheres com habilidades especializadas, em muitos casos, que escolheram não apenas dedicar suas carreiras, mas dedicar suas vidas à nossa segurança nacional", disse Earnest.

Segundo Earnest, o presidente dos EUA, Barack Obama, "se beneficiou enormemente do trabalho das agências, do conhecimento e dos conselhos dados. O presidente eleito se beneficiará também, caso permaneça aberto a isso".

A equipe de transição de Trump não comentou imediatamente sobre o caso. Apenas o porta-voz da equipe, Sean Spicer, disse à rede de TV americana MSNBC que "não há nenhuma evidência" de que hackers russos "tenham tido algum impacto na eleição".

Hoje, o líder republicano no Senado, Mitch McConnel, afirmou que irá apoiar uma investigação sobre os ataques hackers durante as eleições. O comentário de McConnel foi seguido pelos senadores democratas. / REUTERS E AP 

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