Russian Defense Ministry Press Service via AP
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EUA dizem que Rússia adicionou até 7 mil militares na fronteira com a Ucrânia 

Segundo um funcionário do governo americano, Moscou pode a qualquer momento lançar uma operação que lhe serviria de pretexto falso para invadir a Ucrânia

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2022 | 21h18
Atualizado 17 de fevereiro de 2022 | 12h20

WASHINGTON - A Rússia aumentou sua presença na fronteira com a Ucrânia com pelo menos 7 mil militares, alguns deles chegando nesta quarta-feira, 16, afirmou um alto funcionário da Casa Branca, que qualificou como falso o anúncio de Moscou de uma retirada de suas tropas.

"Ontem o governo russo anunciou que estava retirando tropas da fronteira com a Ucrânia (...), mas agora sabemos que isso é falso. De fato, confirmamos que nos últimos dias a Rússia aumentou sua presença ao longo da fronteira ucraniana em até 7 mil soldados, alguns dos quais chegaram hoje", afirmou o alto funcionário a repórteres, pedindo anonimato.

Moscou pode "a qualquer momento" lançar uma operação que lhe serviria de "pretexto falso" para invadir a Ucrânia, prosseguiu. "A Rússia diz querer encontrar uma solução diplomática, mas suas ações indicam o contrário", destacou.

O alto funcionário considera que esta operação em busca de um pretexto poderia assumir "diferentes formas", como "uma provocação" na região de Donbas, ou uma falsa "incursão" em território russo. Haverá "mais notícias falsas da mídia estatal russa nos próximos dias", antecipou. "Esperamos que o mundo esteja pronto."

Mais cedo, os EUA e a Otan disseram que ainda não tinham visto sinais de retirada das tropas russas de perto da Ucrânia. A Otan, na realidade, também relatou notar um aumento no número de tropas na fronteira.

"Não vimos um retrocesso", disse o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, à ABC News. "Ele (Putin) pode puxar o gatilho. Ele pode puxar hoje. Ele pode puxar amanhã. Ele pode puxá-lo na próxima semana. As forças estão lá se ele quiser renovar a agressão contra a Ucrânia.''

O porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price, disse que os EUA viram "mais forças russas, não menos". Questionado por que os russos alegariam estar se retirando quando a inteligência do governo, fotos comerciais de satélite e vídeos de mídia social não mostraram evidências disso, Price disse: “Este é o manual russo, pintar um quadro publicamente. enquanto eles fazem o oposto.''

O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, disse que a aliança também não viu "nenhuma retirada das forças russas", assim como vários governos europeus. "Se eles realmente começarem a retirar as forças, é algo que saudamos, mas isso ainda está para ser visto", disse Stoltenberg antes de presidir uma reunião dos ministros da Defesa da aliança em Bruxelas.

O presidente ucraniano, Volodmir Zelenski, também rejeitou as alegações de retirada russas. "O que é isso? Rotações, retirada, retorno novamente", disse ele em uma visita à cidade de Mariupol, no sudeste. "É muito cedo para se alegrar."

O líder ucraniano tentou repetidamente projetar calma e força durante a crise, declarando esta quarta-feira um "Dia da Unidade Nacional". "Estamos unidos pelo desejo de viver felizes em paz", disse Zelenski em um discurso à nação no início do dia. "Só podemos defender nossa casa se permanecermos unidos.''

A Rússia concentrou mais de 150 mil soldados no leste, norte e sul da Ucrânia, segundo estimativas ocidentais. O presidente russo, Vladimir Putin, sinalizou que quer um caminho pacífico para sair da crise, e o presidente dos EUA, Joe Biden, prometeu que seu país continuaria a dar à diplomacia "todas as chances", mas mostrou um tom cético sobre as intenções de Moscou. A Rússia quer que o Ocidente mantenha a Ucrânia e outras ex-nações soviéticas fora da Otan, interrompa o envio de armas perto das fronteiras russas e recue as forças da Europa Oriental, exigências que foram rejeitadas pelos EUA. /AFP, AP e NYT 

 

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