EUA dizem que tempo do Afeganistão está se esgotando

Os Estados Unidos rejeitaram hoje a proposta do regime afegão do Taleban para libertar oito funcionários de uma entidade humanitária alemã - quatro alemães, dois americanos e dois australianos -, acusados de "propagar o cristianismo no país", em troca da suspensão da "propaganda de ação militar contra o Afeganistão". Ao contrário, em seu programa radiofônico, o presidente George W. Bush voltou a alertar o Taleban de que se está esgotando o tempo para a campanha de retaliação militar do Afeganistão. A exigência para evitar isso é a destruição imediata das bases de treinamento de terroristas da Al-Qaeda no Afeganistão e a entrega de seu chefe, o saudita Osama bin Laden, apontado como mentor dos atentados do dia 11 nos Estados Unidos, que deixaram quase 6 mil mortos. A advertência do presidente americano coincidiu com a chegada ao Usbequistão de vários aviões de transporte de tropa americanos. Eles desceram no aeroporto civil de Termez, perto da fronteira com o Afeganistão. Os soldados aparentemente da 10ª Unidade de Montanha, com sede no Estado de Nova York, ficarão alojados em bases militares da antiga União Soviética, colocadas à disposição dos Estados Unidos pelo presidente russo, Vladimir Putin. Simultaneamente, baterias antiaéreas do Taleban disparavam contra "um avião não identificado", que sobrevoava Cabul. Imagens tomadas pela rede de televisão do Catar, Al-Yaazira, e retransmitidas pela CNN, mostram o avião e rajadas de metralhadora e foguetes riscando os céus da capital afegã em direção a ele, mas sem atingi-lo. Um porta-voz militar do Taleban em Kandahar identificou o aparelho como sendo americano e confirmou que "não foi possível abatê-lo porque voava a grande altitude". Kandahar é apontada como a "fortaleza" do supremo líder espiritual do Taleban, o mulá Mohammada Omar. Ele teria partido da oferta de barganha dos funcionários ocidentais detidos por propagar o cristianismo com o fim da propaganda bélica americana contra o Afeganistão. "Há poucos dias, os Estados Unidos exigiram do Emirado Islâmico do Afeganistão o banimento da Al-Qaeda, o fechamento de suas bases e a extradição de Osama bin Laden", diz em declaração o Ministério das Relações Exteriores do Taleban. "O Emirado Islâmico do Afeganistão não recebeu nenhuma prova contra o xeque Osama bin Laden para ser examinada", destaca a nota. "Se os Estados Unidos aliviarem o sofrimento imposto ao povo afegão com suas ameaças (de bombardeio) interrompendo-as, o governo afegão dará os passos necessários para a libertação dos oito estrangeiros detidos." Os oito funcionários trabalham para a agência humanitária alemã Shelter Now International (SNI), que mantinha um escritório na capital afegã para fornecimento de alimentos e assistência médica aos afegãos. Eles negam categoricamente as acusações feitas pelo Taleban que se prepara para levá-los a julgamento por um tribunal islâmico.

Agencia Estado,

06 Outubro 2001 | 13h22

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