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EUA dizem suspeitar que Irã 'tenha matado mais de mil' nos protestos

Os protestos explodiram em 15 de novembro no país, depois que o governo elevou abruptamente os preços do combustível

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2019 | 22h42

WASHINGTON - O enviado especial dos Estados Unidos para o Irã, Brian Hook, levantou a suspeita, nesta quinta-feira, 5, de que Teerã "possa ter matado mais de mil pessoas" desde o início dos protestos neste país, enquanto outros milhares teriam ficado feridos, ou estariam presos. 

"Parece que o regime pode ter matado mais de mil cidadãos iranianos desde o início dos protestos", disse Hook. "Não podemos ter certeza, porque o regime bloqueia as informações", mas "sabemos que vários milhares de iranianos foram feridos, e pelo menos sete mil manifestantes, detidos."

Os protestos explodiram em 15 de novembro no Irã, depois que o governo elevou abruptamente os preços do combustível. O país se encontra sob uma série de sanções impostas pelos Estados Unidos.

Para Hook, a resposta repressiva do regime demonstrou que o Irã está perdendo apoio, mesmo de sua base tradicional da classe trabalhadora. "Esta é a pior crise política que o regime já teve de enfrentar em seus 40 anos", disse Hook.

O enviado americano insistiu em que o número de mortos é muito maior do que os 208 estimados pela ONG Anistia Internacional. Ao mesmo tempo, lembrou das dificuldades para se verificar esta informação.

Hook relatou que os EUA receberam fotos e vídeos de cerca de 32 mil pessoas, material usado, junto com relatórios de grupos externos, para fazer essa estimativa.

O Irã classificou o alto número de mortos divulgados por fontes estrangeiras como "mentiras absolutas". Até o momento, a República Islâmica confirmou apenas cinco vítimas: quatro membros das forças de segurança assassinados por "agitadores" e um civil.

O número de mortos apresentado pelos Estados Unidos é muito maior que a estimativa feita pela Anistia Internacional, que fala em 208, mas admite que tem dificuldades para verificar a informação.

O presidente americano, Donald Trump, denunciou nesta quinta-feira a repressão "brutal" dos manifestantes, deplorando a multiplicação das detenções nos protestos.

"É horrível", declarou Trump em reunião na Casa Branca, na presença de diplomatas da ONU. "Estão matando muita gente e detendo milhares de seus próprios cidadãos em uma repressão brutal".

Inflamar conflitos na região

Hook ainda disse que o fato de um navio de guerra da Marinha americana ter apreendido peças de mísseis avançados que se acredita estarem ligadas ao Irã de um barco que deteve no Mar Arábico no dia 25 de novembro provavelmente é uma prova adicional dos esforços do Irã para inflamar conflitos na região.

“Interditamos uma horda significativa de armas e peças de mísseis evidentemente de origem iraniana. A apreensão inclui armas sofisticadas”, disse, acrescentando que a embarcação supostamente seguia para o Iêmen para entregar as armas.

“Os componentes de armas constituem as armas mais sofisticadas apreendidas pela Marinha dos EUA até hoje durante o conflito do Iêmen”, disse Hook. / AFP e Reuters

 

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