AP/Syrian Civil Defense White Helmets
AP/Syrian Civil Defense White Helmets

EUA dizem ter prova do uso de armas químicas na Síria e desafiam Rússia

Donald Trump diz que ‘não há muita dúvida’ de que governo sírio está por trás de massacre contra civis em Douma e prometeu retaliar em até 48 horas, aumentando a tensão com governo russo, aliado de Assad

Cláudia Trevisan, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

09 Abril 2018 | 21h38

Escalando o confronto entre EUA e Rússia, o presidente Donald Trump disse nesta segunda-feira, 9, que “não há muita dúvida” de que houve um ataque com armas químicas contra civis na Síria e prometeu anunciar sua retaliação em até 48 horas. “Se é a Rússia, a Síria, o Irã ou todos eles juntos, vamos saber as respostas em breve. Estamos analisando uma (ação) muito forte e muito séria.”

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Perguntado se uma ofensiva militar estava entre as possibilidades, Trump respondeu que “nada estava fora da mesa”. No fim da tarde, ele se reuniu com seus chefes militares para discutir os próximos passos. O ataque com armas químicas, no sábado, levou Trump a atacar pela primeira vez de maneira contundente o presidente russo, Vladimir Putin. “Vamos tomar uma decisão hoje (segunda-feira,9) à noite ou logo depois disso”, disse.

Trump disse que será “muito duro” se ficar comprovada a participação da Rússia na ofensiva. Segundo ONGs que atuam na Síria, o uso de armas químicas provocou a morte de pelo menos 49 pessoas em Douma, uma das últimas áreas em torno de Damasco que eram controladas por rebeldes. 

Trump classificou o ataque de “hediondo” ao abrir reunião de seu gabinete, no início da tarde desta segunda-feira, 9. “Foi um ataque atroz. Foi horrível. Você não vê coisas como essa. Não importa quão ruim sejam as notícias ao redor do mundo, você não vê essas imagens.” Vídeos divulgados por ONGs mostram corpos amontoados dentro de casas, com espuma saindo da boca e das narinas. Em outras imagens, crianças apresentam dificuldade para respirar e aparecem com olhos e pele irritados. 

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Segundo o Kremlin, Putin conversou sobre o assunto por telefone com a chanceler alemã, Angela Merkel. “O lado russo disse que é inaceitável a provocação e a especulação”, afirmou Moscou, em nota. Os russos sustentam que o ataque não existiu e as imagens foram fabricadas por opositores de Assad.

Representantes dos dois países trocaram acusações durante reunião do Conselho de Segurança da ONU, convocada para discutir a situação na Síria. O embaixador russo, Vassili Nebenzya, disse que a política de confronto dos EUA e de seus aliados com relação à Rússia supera o que foi registrado durante a Guerra Fria. “Vocês entendem o perigoso limiar para o qual estão levando o mundo?”, questionou. 

A embaixadora dos EUA, Nikki Haley, acusou a Rússia de ter as “mãos cobertas de sangue de crianças sírias” e de bloquear qualquer tentativa do Conselho de Segurança de agir para tentar solucionar a guerra civil que já dura sete anos. “De qualquer maneira, os EUA responderão.”

Na noite de domingo, Trump conversou por telefone com o presidente francês, Emmanuel Macron, e ambos prometerem coordenar uma “forte resposta” ao ataque.

A crise na Síria marcou o primeiro dia no cargo do novo chefe do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, um falcão que defende ações militares contra Irã e Coreia do Norte. Apesar de seus instintos intervencionistas, Bolton se posicionou contra uma ofensiva contra a Síria em 2013, quando Assad ultrapassou os limites que haviam sido traçados pelo então presidente Barack Obama e realizou um ataque com armas químicas que matou centenas de pessoas. 

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“Acredito que um ataque limitado, que parece ser o que o presidente busca, não criará um efeito dissuasivo”, declarou Bolton, na Fox News, naquela época. No ano passado, quando Trump planejava retaliação contra outro uso de armas químicas por Assad, Bolton sustentou que a ofensiva deveria ser acompanha de uma estratégia mais ampla para a Síria e a Rússia. 

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