Francis R. Malasig/AP
Francis R. Malasig/AP

EUA e a União Europeia anunciam novas sanções à Rússia

Moscou considerou as medidas, que incluem restrições à importação de altas tecnologias militares, um retorno às práticas da Guerra Fria

O Estado de S. Paulo,

28 de abril de 2014 | 18h22

WASHINGTON - Os EUA e a União Europeia anunciaram nesta segunda-feira, 28, novas sanções a funcionários do governo, companhias e empresários russos próximos ao presidente Vladimir Putin em represália pelas ações de Moscou na Ucrânia. O Kremlin criticou a nova rodada de punições. Segundo o vice-chanceler Serguei Rvabkov, as medidas são ilegítimas, não civilizadas e marcam um retorno às práticas da Guerra Fria.

Nas Filipinas, onde está em viagem, o presidente americano, Barack Obama, disse que as sanções, que ampliam as tomadas quando a Rússia anexou a Crimeia, no mês passado, têm o objetivo de impedir Putin de fomentar a rebelião no leste ucraniano.

Em Washington, a Casa Branca e os departamentos de Estado, do Tesouro e do Comércio divulgaram um comunicado detalhando que sete russos e 17 companhias seriam afetadas pelas novas sanções americanas. Entre os empresários alvos estão Igor Sechin, chefe da empresa de energia estatal Rosneft, e o vice-primeiro-ministro, Dmitri Kozak.

Os EUA vão negar licenças de exportação de todos os itens de alta tecnologia que possam contribuir para a capacidade militar russa e vão revogar as licenças de exportação existentes que atendam a essas condições, informou a Casa Branca. Essa é a terceira rodada de sanções que Washington impõe aos russos.

Em Bruxelas, a União Europeia anunciou ter adicionado 15 novos funcionários do governo russo à sua lista de punições, chegando agora a 48 os impedidos de viajar para as 28 nações do bloco. Eles também tiveram seus ativos congelados nesses países. Os nomes devem ser divulgados no jornal oficial do bloco hoje. A União Europeia tem mais a perder do que Washington com as sanções contra a Rússia, que é um dos principais fornecedores de energia e parceiro comercial do bloco.

Obama declarou que “o objetivo não é ir atrás de Putin pessoalmente”. “O objetivo é mudar os seus cálculos no que diz respeito à forma como as ações em curso, das quais ele está participando na Ucrânia, podem ter um impacto negativo sobre a economia russa no longo prazo.”

Um comunicado da chancelaria russa condenou o anúncio americano e europeu. “Sanções extraterritoriais unilaterais são, por natureza, ilegítimas. Elas não apenas falham em corresponder às normas de interação civilizada entre Estados... elas contradizem as exigências do direito internacional”, declarou o vice-chanceler Ryabkov.

No leste da Ucrânia ontem, os separatistas pró-Rússia não deram sinais de abandonar a revolta, invadindo edifícios públicos em outra cidade, Kostyantynivka. O prefeito da cidade de Kharkiv, Gennady Kernes, de 54 anos, a segunda maior da Ucrânia, foi baleado enquanto andava de bicicleta. O Ministério do Interior informou que Kernes foi levado à emergência do hospital de Kharkiv e operado. / AP e REUTERS

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