EUA e Afeganistão chegam a acordo sobre pacto

Os EUA e o Afeganistão concordaram com um pacto bilateral que abre caminho para que milhares de tropas dos EUA treinem as forças afegãs após o fim das missões de combate no país em 2014. O Secretário de Estado norte-americano, John Kerry, disse nesta quarta-feira que o texto será baseado na proposta enviada na terça-feira ao conselho afegão de Loya Jirga, em Cabul.

Agência Estado

21 de novembro de 2013 | 03h17

O acordo estabelece a entrada de uma força militar norte-americana no território afegão para realizar missões de contraterrorismo e supervisionar o treinamento do exército e da polícia do Afeganistão. Mas as negociações têm sido difíceis e as divergências persistem sobre questões críticas, entre elas, a forma como as forças militares dos EUA iriam responder a uma agressão externa.

De acordo com o rascunho do texto publicado no site do presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, o acordo dá aos Estados Unidos jurisdição legal sobre as tropas afegãs e sobre civis do Departamento de Defesa. O pacto também confirma que, em operações antiterroristas, o exército afegão deverá estar na liderança.

"Algumas pessoas podem ter questionado ou duvidado se isso aconteceria. Pois vai acontecer amanhã, e vai acontecer com um texto combinado entre nós", Kerry disse em conferência no Departamento de Estado. "Nós concordamos sobre o documento que será enviado ao conselho do Afeganistão, mas a proposta tem que ser aprovada", ele reforçou.

O texto agora segue para a Loya Jirga, um conselho afegão de três mil membros anciãos, que pode rejeitar qualquer cláusula do acordo. As partes aprovadas seguem, então, para o parlamento, que pode exigir ainda mais mudanças antes da aprovação final. Do lado dos EUA, a administração Obama tem que avaliar o documento, mas pode rejeitar as alterações propostas pelas autoridades do Afeganistão.

No caso de as duas partes não conseguirem chegar a um acordo final, os Estados Unidos podem retirar todas as suas tropas do país árabe, como aconteceu no Iraque. Americanos e iraquianos não concordaram nos termos da desocupação e, desde a saída do exército, o país sofre com a violência entre grupos opositores. Analistas temem que o Afeganistão pode seguir o mesmo caminho.

Kerry disse ainda que a atuação dos militares norte-americanos no país seria "limitado". "Será inteiramente para equipar, ajudar e treinar. Não haverá função de combate para as forças dos EUA, e o acordo bilateral de segurança vai servir para esclarecer aos afegãos e aos militares norte-americanos quais são as regras do relacionamento", explicou. Fonte: Dow Jones Newswires.

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