EUA e Afeganistão progridem em direção a acordo

O presidente do Afeganistão Hamid Karzai e o Secretário de Estado dos Estados Unidos John Kerry disseram neste sábado que resolveram suas principais diferenças em relação ao futuro das forças militares norte-americanas no Afeganistão. Ainda assim, a maratona de um dia de negociações terminou sem um acordo.

AE, Agência Estado

12 de outubro de 2013 | 19h21

Um tema que pode destruir o entendimento segue sem solução. Tanto Karzai como Kerry disseram que uma tradicional assembleia afegã irá decidir se as forças dos EUA terão imunidade contra processos em cortes afegãs. O mesmo problema de imunidade dificultou um acordo similar no Iraque em 2011, levando à completa retirada norte-americana daquele país.

O Acordo Bilateral de Segurança que está sendo negociado entre Washington e Cabul é necessário para pavimentar o caminho para a continuidade - após o término do mandato ao final de 2014 - da presença no Afeganistão de um pequeno contingente militar liderado pelos americanos. Sem tal acordo, as forças norte-americanas terão que se retirar completamente.

Durante uma coletiva de imprensa neste sábado, Karzai disse que o todo o acordo teria de ser submetido à uma tradicional assembleia, conhecida como loya jirga, assim como ao Parlamento afegão. A determinação sobre se o Afeganistão teria jurisdição sobre as tropas norte-americanas no país, disse, seria atentamente avaliada.

"Não compartilhamos uma mesma opinião neste tema", declarou o presidente do Afeganistão. "Deixamos a decisão neste tema em particular para loya jirga", disse.

A jurisdição sobre as tropas norte-americanas é um tema sensível para os afegãos, mas também é uma linha divisória para o governo dos EUA. Falando na mesma coletiva, Kerry disse que o acordo seguiria "o processo político apropriado", mas acrescentou: "se o tema da jurisdição não puder ser resolvido, então infelizmente não poderá haver acordo bilateral."

A coletiva, que chegou a ser adiada duas vezes, coroou um dia cansativo de negociações. Kerry estendeu sua visita neste sábado para resolver questões pendentes com Karzai. Soberania e proteção de civis são prioridades para os negociadores afegãos.

Karzai também pressionou os EUA por garantias de defesa do Afeganistão contra ameaças externas. Os oficiais norte-americanos se mostraram cautelosos com tal compromisso, dizendo que ele iria além do escopo de um acordo bilateral tradicional.

Um acontecimento que complicou as negociações foi a confirmação de captura pelos militares dos EUA de Latif Mehsud, um comandante do Taleban paquistanês. Um oficial de defesa disse que Mehsud foi apreendido numa operação militar e foi mantido detido pelas forças norte-americanas, mas não deu mais informações.

O jornal Washington Post reportou que Mehsud foi detido pelas forças dos EUA enquanto estava sob custódia do governo afegão. A ação teria enfurecido Karzai. Um porta-voz do governo afegão confirmou no sábado que a captura do comandante do Taliban paquistanês foi discutida durante o encontro do presidente afegão com Kerry. Fonte: Dow Jones Newswires. (Dayanne Sousa - dayanne.sousa@estadao.com)

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