EUA e aliados começam a atacar posições do Estado Islâmico na Síria

Os EUA iniciaram ontem ataques aéreos contra posições do Estado Islâmico (EI) na Síria, na primeira intervenção militar americana na guerra civil iniciada no país há três anos e meio. O porta-voz do Pentágono, John Kirby, divulgou nota na qual disse que a ofensiva estava em andamento e tinha a participação de "nações parceiras", entre elas Arábia Saudita, Jordânia, Emirados Árabes e Bahrein.

CLÁUDIA TREVISAN, ENVIADA ESPECIAL / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2014 | 02h00

O rápido avanço do EI na Síria e no Iraque forçou Obama a agir em um conflito do qual se manteve distante, apesar das pressões para que desse apoio aos rebeldes que combatem o regime de Bashar Assad. No dia 11 de setembro, o presidente americano anunciou que autorizaria incursões militares na Síria para conter a ofensiva do grupo extremista, o que indiretamente pode beneficiar Assad.

Kirby afirmou que a decisão de iniciar os ataques foi adotada pelo Comando Central dos EUA, após autorização do presidente. Os EUA devem enfrentar questionamentos sobre a legalidade da ação, já que a intervenção ocorre em um Estado soberano.

A operação é diferente da realizada no Iraque, já que Bagdá solicitou apoio americano para conter o avanço do EI. Não há indicação de que Assad tenha pedido a intervenção. As autoridades de Washington tem afirmado que qualquer ação não seria coordenada com Assad, cuja saída do poder é defendida por Obama. Segundo Kirby, a ofensiva lançada ontem incluía ataques com caças, aviões bombardeiros e mísseis Tomahawk disparados de navios.

Ameaça. Em resposta à ofensiva internacional, o EI orientou ontem seus seguidores a atacar cidadãos dos países que fazem parte da coalizão liderada pelos EUA para combatê-lo. O porta-voz do grupo, Abu Mohamed al-Adnani, provocou Obama e outros líderes ocidentais, em um comunicado na web monitorado pela empresa de segurança Site, dizendo que suas forças enfrentariam uma derrota inevitável. Adnani disse que a intervenção militar seria a "campanha final dos cruzados", de acordo com a transcrição publicada pela Site.

"Ela será rompida e derrotada, assim como todas as suas campanhas anteriores foram", disse ele, pedindo a seus seguidores que ataquem americanos, franceses, canadenses e australianos, entre outras nacionalidades.

Adnani ironizou líderes ocidentais por intensificarem a presença militar na região e disse que Obama repetia os erros de seu antecessor, George W. Bush. "Se você o combater (o EI), ele se tornará mais forte e resistente. Se você o deixar quieto, ele crescerá e se expandirá. Se Obama prometeu derrotar o EI, então Bush também mentiu antes dele", disse Adnani, segundo a transcrição.

Dirigindo-se diretamente a Obama, ele acrescentou: "Oh, mula dos judeus, você disse hoje que a América não seria atraída novamente para uma guerra em solo. Não, ela será atraída e arrastada novamente. Isso acontecerá no solo e causará sua morte e destruição."

A decisão de atacar os jihadistas na Síria foi tomada após 130 mil refugiados sírios cruzarem a fronteira com a Turquia nos últimos cinco dias. Ontem, as forças do EI continuaram avançando na região, aumentando ainda mais a pressão sobre o governo turco. Segundo o Alto Comissariado de Refugiados da ONU (Acnur), trata-se do maior fluxo de refugiados registrado em tão curto período em décadas.

O fluxo de refugiados elevou a tensão na fronteira e, no domingo, forças de segurança turcas entraram em confronto com curdos que protestavam em solidariedade aos refugiados. Alguns curdos estariam tentando ir para a Síria para lutar contra o EI. Ontem, o governo turco fechou parte de sua fronteira com a Síria em meio ao temor de que o fluxo de refugiados aumente. Ancara teme principalmente que jihadistas se aproveitem do fluxo em massa para entrar no país clandestinamente. / NYT e REUTERS

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