EUA e aliados dizem ter interceptado pacotes-bomba originários do Iêmen

Endereçadas a instituições judaicas de Chicago, encomendas suspeitas são encontradas em aviões da empresa de entregas UPS nos Emirados Árabes e na Grã-Bretanha; caças F-15 escoltam voo de passageiros vindo de Dubai até a aterrissagem em Nova York

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2010 | 00h00

Pacotes-bomba, enviados do Iêmen, assustaram ontem os EUA e colocaram o país, além de aliados europeus e árabes, em alerta. Os pacotes estavam endereçados a instituições judaicas de Chicago. O presidente Barack Obama havia sido avisado na quinta-feira sobre a ameaça e ontem prometeu em discurso combater a chamada "Al-Qaeda na Península Arábica", isolada no Iêmen e considerada a principal suspeita pela tentativa de ataque.

De acordo com autoridades, explosivos foram encontrados em encomendas em Dubai e na Grã-Bretanha. Tratava-se de c artuchos para impressoras que continham em seu interior dispositivos eletrônicos e fios. Aviões cargueiros da empresa UPS, usada para enviar as supostas bombas, foram vasculhados nos aeroportos da Filadélfia e de Newark, perto de Nova York.

Investigadores buscavam encomendas originárias do Iêmen, onde a Al-Qaeda encontrou terreno fértil nos últimos anos.

Um avião de passageiros da Emirates, vindo de Dubai, foi escoltado por caças F-15 da Força Aérea americana da fronteira com o Canadá até o aeroporto John F. Kennedy, em Nova York. Mas não foi encontrado nenhum pacote do Iêmen.

"Os dois pacotes (de Dubai e Grã-Bretanha) eram originários do mesmo endereço no Iêmen e o presidente Obama foi notificado na noite de quinta-feira (sobre a ameaça)", informou o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs. No fim da tarde de ontem, Obama fez um discurso na TV sobre segurança internacional (mais informações na pág. 32).

Por segurança, a UPS e a Fedex, que fazem entregas internacionais, decidiram suspender temporariamente todas as encomendas vindas do Iêmen.

O governo iemenita afirmou que investigará o episódio. "Estamos trabalhando com parceiros internacionais para averiguar o incidente", disse Mohammed Albasha, porta-voz da embaixada do Iêmen nos EUA. Segundo ele, aviões da UPS não usam o aeroporto de Sanaa.

A ameaça sobre cargueiros abre uma nova frente na luta contra o terror. Até agora, o principal temor era em relação a aviões de passageiros. No Natal, um nigeriano tentou explodir um avião que aterrissava em Detroit. Ele tinha sido treinado em campos da Al-Qaeda no Iêmen.

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