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EUA e aliados europeus insistirão em resolução na ONU contra regime sírio

Diplomatas de potências revelam insatisfação com censura branda a Assad, aprovada quarta-feira com apoio do Brasil; após Rússia se distanciar de Damasco, relatório que Ban Ki-moon apresentará esta semana será gancho para pressão por punição mais dura

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2011 | 00h00

Os EUA e seus aliados da União Europeia no Conselho de Segurança da ONU não pretendem ficar restritos à declaração presidencial da semana passada condenando o regime de Bashar Assad pela violência contra os opositores. Eles devem, já nesta semana, pressionar por uma resolução do CS, que tem um peso bem maior do que a medida adotada na quarta-feira.

Apesar de publicamente celebrar a declaração presidencial, diplomatas dos EUA e da União Europeia revelam - sob condição de anonimato - insatisfação com o resultado dos esforços contra a Síria na ONU, considerada uma vitória dos países integrantes do Brics.

Um diplomata de um dos países que integram de forma permanente o CS disse ao Estado que "convencer o Brasil a adotar uma posição mais dura é fundamental para avançar com punições mais duras à Síria". Segundo negociadores da declaração presidencial, os brasileiros estiveram entre os que mais insistiram para a inclusão de atos violentos da oposição contra o governo sírio no texto final. Isso irritou países europeus e os EUA da mesma forma que no ano passado, quando os brasileiros votaram contra sanções ao Irã.

A declaração do presidente russo, Dmitri Medvedev, alertando Assad - de que, se a violência continuar, um "futuro triste pode esperá-lo" - foi considerada uma das melhores notícias para os EUA na semana passada. Moscou foi, ao longo dos últimos dois meses, o principal obstáculo para a aprovação de uma resolução. A Rússia possui um entreposto militar em Latakia, na costa síria, e ameaçava vetar qualquer texto no conselho. A relutância russa começou a diminuir com a percepção no Kremlin de que Assad está ficando enfraquecido. Esta avaliação é compartilhada por consultorias de risco político consultadas pelo Estado, como a Strafor.

O gancho para voltar a insistir em uma resolução no CS será a apresentação na quarta-feira do relatório do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, sobre a situação síria, que deve apresentar mais condenações à repressão das forças do regime.

Repressão continua. Ontem, o dia foi de mais violência e protestos na Síria. De acordo com moradores, o Exército fechou o cerco à cidade de Hama. "Ninguém entra e ninguém sai", disse um sírio por telefone à agência Associated Press. Em outras cidades do país, como Deraa, berço dos protestos, milhares de pessoas voltaram às ruas em solidariedade a Hama, principal foco da repressão na última semana. A oposição denunciou também a prisão de Walid al-Buni, um de seus principais líderes, pelas forças de segurança. / COM AFP

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