OLIVIER DOULIERY / AFP
OLIVIER DOULIERY / AFP

EUA e aliados vão distribuir 1 bilhão de doses de vacina no Sudeste Asiático

Aliança entre Estados Unidos, Japão, Índia e Austrália tem como objetivo fazer contraponto à presença chinesa na região

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2021 | 15h51

WASHINGTON - Estados Unidos, Índia, Japão e Austrália lançaram um plano para fornecer 1 bilhão de doses de vacina contra a covid-19 em parceria com a Johnson & Johnson. O objetivo dos países aliados em um bloco de cooperação chamado Quad seria conter a influência da China no Sudeste Asiático, para onde essas doses seriam direcionadas, segundo revela o jornal The Financial Times

O financiamento ficará por conta de EUA e Japão, enquanto os indianos, que têm o maior parque farmacêutico do planeta, farão a produção. E a Austrália será responsável pela distribuição. 

A cúpula marcou a primeira vez que os líderes dos quatro países se reuniram após mais de uma década de reuniões a nível inferior do mecanismo de cooperação Quad. Após a reunião, a Casa Branca anunciou seu apoio à empresa indiana Biological E Ltd. para "produzir pelo menos 1 bilhão de doses das vacinas contra a covid-19 até o final de 2022".

O presidente Joe Biden tem deixado claro que a China é o maior desafio em sua política externa e que pretende trabalhar com aliados como a Europa, Japão, Austrália e Índia para tentar conter o avanço de Pequim no xadrez internacional. 

O governo Biden afirma que compartilha da abordagem de Trump em relação à China, mas adota uma estratégia mais discreta que inclui uma nova ênfase nas alianças, muitas das quais, especialmente na Europa, foram muito afetadas pelo ex-presidente. 

"Estamos renovando nosso compromisso de garantir que nossa região seja regida pelo direito internacional, comprometida com a defesa dos valores universais e livre de coerção", afirmou Biden, que, como os outros participantes, não fez nenhuma menção explícita - mas muitas implícitas - à China. 

Defendendo que o Quad forneça "soluções práticas e resultados concretos", Biden disse: "Estamos lançando uma nova e ambiciosa parceria conjunta que impulsionará a fabricação de vacinas em benefício do mundo e fortalecerá a vacinação para o benefício de todo o Indo-Pacífico". 

Autoridades americanas acrescentaram que o foco das atenções seria o Sudeste Asiático em um momento em que a China trabalha para transformar sua imagem com a diplomacia das vacinas. Pequim envia imunizantes para lugares tão distantes quanto a República Dominicana e fornece doses para parceiros internacionais como Paquistão e Zimbábue.

O primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, disse que a cúpula significa "um novo amanhecer no Indo-Pacífico". "Como os quatro líderes das grandes democracias liberais do Indo-Pacífico, que nossa parceria seja a que permita a paz, estabilidade e prosperidade, e que o faça de forma inclusiva com as muitas nações de nossa região", afirmou.  

O primeiro-ministro indiano Narendra Modi, que se distanciou cada vez mais da postura histórica de não alinhamento da Índia e buscou fortalecer os laços com Washington, declarou que o Quad será "uma força para o bem global". "O Quad atingiu a maioridade. Agora continuará a ser um importante pilar de estabilidade na região", ressaltou Modi. 

O Japão anunciou que seu primeiro-ministro, Yoshihide Suga, viajará aos Estados Unidos em abril e se tornará o primeiro líder estrangeiro a encontrar Biden pessoalmente, um sinal da importância que o presidente dos Estados Unidos atribui ao seu aliado. 

Resposta chinesa

O jornal estatal chinês Global Times criticou a cúpula do Quad como uma conspiração dos Estados Unidos contra Pequim e, em um artigo de opinião, disse que a Índia, cujas relações com Washington estão melhorando, deveria recuar.

"O Quad não é uma aliança de países com ideias afins como os Estados Unidos afirmam", escreveu o jornal, acrescentando que os outros três países enfrentam "a vergonha de estarem entre a pressão dos Estados Unidos e seus próprios interesses com a China". / Com informações da AFP

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