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Amanda Perobelli/Reuters
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EUA e Brasil negociam em paralelo envio de vacinas e ações ambientais

Os dois assuntos fizeram parte de telefonema do secretário de Estado americano, Antony Blinken, para o chanceler brasileiro, Carlos Alberto Franco França; Casa Branca ainda encara com ceticismo promessas climáticas feitas pelo Brasil

Beatriz Bulla / Correspondente , O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2021 | 05h00

WASHINGTON -  O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, conversou nesta quinta-feira, 17, por telefone com o chanceler brasileiro, Carlos Alberto Franco França, em meio à negociação entre os dois países para o envio de vacinas contra covid-19 e a cobrança dos americanos por ações ambientais do Brasil. Os dois temas fizeram parte do telefonema, segundo fontes em Washington e em Brasília.

A ligação aconteceu um dia após o Brasil assinar um acordo de cooperação com a Nasa, no qual o País aceitou participar do programa espacial Artemis. Blinken aproveitou o momento para realizar o contato e deixar claro, mais uma vez, que o tema de maior interesse da Casa Branca na relação bilateral com o Brasil atualmente é a preservação ambiental. 

Na nota divulgada pelo porta-voz do Departamento de Estado americano, Ned Price, sobre o conteúdo da conversa, a questão ambiental é a primeira a ser mencionada. Price afirmou que os dois discutiram os anúncios do presidente Jair Bolsonaro na cúpula do clima, organizada pelo governo de Joe Biden, em abril, e a necessidade de sustentar essas metas com etapas de implementação concretas no curto prazo. 

Autoridades americanas ainda estão céticas quanto ao cumprimento das metas anunciadas pelo governo brasileiro e acompanham com preocupação as notícias de que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, está sob investigação.

Já em Brasília, fontes destacaram que a “diplomacia da saúde” – nome que o Itamaraty tem dado para as negociações dos imunizantes – foi um dos principais tópicos da conversa, além do “desenvolvimento sustentável” e da cooperação econômica. Há uma expectativa por parte do governo brasileiro de que o País receba uma fatia maior de vacinas na nova leva de doações dos americanos.

No início do mês, a Casa Branca divulgou o plano de envio de 25 milhões das 80 milhões de doses de vacina prometidas para outros países. Parte foi dividida por regiões geográficas por meio do consórcio internacional Covax Facility e outra parte será feita por envio direto dos EUA a países parceiros. No montante inicial, o Brasil foi incluído na divisão do Covax, para receber uma fração dos 6 milhões de doses destinadas às Américas do Sul e Central.

Os EUA ainda devem anunciar o destino de outras 55 milhões de doses, que a Casa Branca promete despachar até o fim do mês. Em coletiva de imprensa nesta quinta-feira, o coordenador do combate à pandemia da Casa Branca, Jeffrey Zients, afirmou que uma “importante” quantidade de doses será enviada ao Brasil nas próximas semanas – sem detalhar números. 

No Brasil, diplomatas dizem ter em mente que os EUA usam a diplomacia da saúde para reforçar laços com parceiros, apesar de os americanos afirmarem que não usarão o envio de vacinas para garantir favores de ninguém. Hoje, na conversa entre Blinken e França, os dois prometeram trabalhar juntos em fóruns multilaterais, como o Conselho de Segurança da ONU – para o qual o Brasil foi eleito para uma vaga rotativa na semana passada – e no Conselho de Direitos Humanos, onde os americanos voltaram a atuar no governo Biden. 

Diplomatas brasileiros afirmam que a liderança nos fóruns multilaterais é uma agenda cara ao governo americano, que prometeu recuperar o protagonismo global, e o Brasil estaria disposto a cooperar. 

Também na conversa com os americanos, o chanceler brasileiro teria dito, segundo fontes, que a Convenção do Clima de novembro, em Glasgow, seria uma oportunidade para mostrar a parceria em torno da questão ambiental. Fontes do governo consideram que o Itamaraty terá papel importante na construção da relação com os americanos sobre a questão climática, já que Salles foi alvo de operação da Polícia Federal que apura envolvimento em esquema de corrupção e exportação ilegal de madeira. 

Salles era, até então, um dos interlocutores do governo brasileiro com os americanos, com o compromisso de mostrar à Casa Branca que o Brasil estava disposto a cooperar nos esforços globais de preservação ambiental e na redução de emissões de carbono.

Mesmo antes do início das investigações, no entanto, Salles já era visto com ceticismo em Washington. Dentro do Partido Democrata, o ministro é considerado um dos responsáveis pela política ambiental de Bolsonaro, que afrouxou o controle do desmatamento.

 

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