EUA e China negociam destino de ativista cego

Chen Guangcheng fugiu da prisão domiciliar e se escondeu na embaixada americana; países tentam acordo antes da chegada de Hillary a Pequim

CLÁUDIA TREVISAN, CORRESPONDENTE / PEQUIM, O Estado de S.Paulo

01 Maio 2012 | 03h05

EUA e China tentam chegar a um acordo sobre o destino do ativista cego Chen Guangcheng antes da chegada a Pequim da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, na quarta-feira. Para Bob Fu, presidente da entidade ChinaAid, a solução mais provável é o asilo político nos EUA. "Chen e sua família podem ter de sair do país para tratamento médico", disse Fu ao Estado, citando fontes próximas aos dois governos. "A disposição da China é encontrar uma rápida solução para o caso."

Autoridades chinesas e americanas continuaram ontem a negociar um acordo sobre Chen, que escapou de prisão domiciliar há nove dias e está sob proteção de diplomatas dos EUA em Pequim. Os dois lados se recusam a comentar o assunto. O presidente Barack Obama não quis confirmar se Chen está na embaixada e se limitou a dizer que a "relação com a China será mais forte à medida que se vejam melhoras com relação aos direitos humanos".

O ativista era mantido confinado em sua casa na Província de Shandong havia 19 meses, desde que cumpriu a pena de 4 anos e 3 meses de prisão a que havia sido condenado em 2006. A detenção domiciliar não tinha base legal nem decorria de uma condenação judicial.

Hillary chega amanhã para participar do Diálogo Estratégico e Econômico entre os dois países. A hipótese de asilo é considerada remota por Hu Jia, um dos dissidentes que ajudou a planejar a fuga do ativista. "Na última vez em que nos encontramos, ele me disse que pretendia permanecer na China", disse. Hu foi interrogado por 23 horas no fim de semana sobre a fuga de Chen e liberado no domingo à noite. Guo Yushan, que também ajudou na execução do plano, foi solto após três dias de detenção. Só He Peirong, a mulher que levou Chen de carro até Pequim, continua presa.

A permanência de Chen na China só será possível se Pequim der garantias de que ele e sua família não sofrerão represálias e haverá um fim à violência a que eram submetidos. Resta saber se o Partido Comunista estará disposto a fazer essa concessão.

A fuga do ativista ocorreu em um momento delicado para Pequim, que já enfrenta o escândalo de Bo Xilai, que era um dos principais candidatos ao órgão máximo de comando do Partido Comunista até cair em desgraça no mês de março.

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