EUA e China vão negociar retorno de avião espião

Prometendo adotar uma posição rígida, os Estados Unidos informaram à China nesta terça-feira que esperam a devolução do avião de espionagem norte-americano que fez um pouso de emergência na ilha chinesa de Hainan em 1º de abril.Enquanto isso, uma delegação dos EUA chegou nesta terça-feira a Pequim para participar de uma reunião, prevista para amanhã, cujo objetivo é negociar o retorno da aeronave danificada."Queremos nosso avião de volta, iremos expor nossa opinião e esperamos uma resposta", disse Richard Boucher, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA.Em Pequim, uma porta-voz da chancelaria chinesa negou-se a comentar se a China imporia obstáculos ao retorno do avião de espionagem EP-3E da Marinha dos Estados Unidos.Ainda nesta terça-feira, o governo norte-americano informou que a decisão a ser tomada na próxima semana sobre quais armas serão vendidas a Taiwan não influenciará negativamente as conversações.Representantes dos dois países determinarão o que causou o acidente e quais os modos de prevenir futuras colisões, além de debater o fim dos vôos de reconhecimento dos Estados Unidos sobre a região, disse o almirante Craig Quigley, porta-voz do Departamento de Defesa dos EUA.Segundo ele, a questão das vendas de armas dos EUA a Taiwan não está na agenda. "Estamos falando aqui sobre duas coisas totalmente diferentes", disse Quigley durante entrevista coletiva. "Uma tem relação com eventos recentes; a outra tem base na lei."A Lei de Relações com Taiwan, promulgada em 1979, obriga o governo norte-americano a vender ao arquipélago as armas necessárias para sua defesa.Pelo fato de a China classificar Taiwan como província rebelde a questão ameaça prejudicar as já tensas relações entre Pequim e o governo Bush.Enquanto isso, a China prometeu uma aproximação "sincera" nas negociações.Em Caracas, um porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China expressou o descontentamento de Pequim com a versão norte-americana sobre como o avião de espionagem dos Estados Unidos colidiu com um caça chinês, mas informou que seu país está ansioso pela normalização das relações entre os dois governos e seu retorno "à trilha correta"."Nos últimos dias, algumas autoridades norte-americanas fizeram muitas declarações irresponsáveis, ignorando nossas exigências e confundindo o que é mentira e o que é verdade", disse Zhu Bangzao."Agora, eles também estão tentando nos culpar, mas se esquecem de suas responsabilidades. Expressamos assim o nosso descontentamento." Zhu conversou com jornalistas durante a visita oficial à Venezuela feita pelo presidente Jiang Zemin.Depois de "sentir muito" pela colisão e pela morte do piloto chinês, funcionários da administração Bush disseram que o acidente foi causado por "manobras irresponsáveis" do piloto da China em espaço aéreo internacional.De acordo com Zhu, a China exige que os Estados Unidos admitam sua responsabilidade no incidente e suspendam todos os vôos de reconhecimento sobre o território chinês."De nossa parte, prosseguiremos com nossas investigações e conduziremos a questão do avião de acordo com a lei", afirmou.

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