Presidência da Colômbia/AFP
Presidência da Colômbia/AFP

EUA e Colômbia anunciam novo plano conjunto de combate ao narcotráfico

A iniciativa 'Colombia Cresce' é um novo capítulo do Plano Colômbia, pacote de ajuda de Washington para combater o narcotráfico no país sul-americano

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2020 | 03h46

BOGOTÁ- Os Estados Unidos e a Colômbia anunciaram nesta segunda-feira, 17, o lançamento de um novo plano conjunto de combate ao narcotráfico, que inclui investimentos em áreas afetadas pela violência. 

O anúncio foi feito no palácio presidencial de Bogotá, após um encontro entre o presidente colombiano, Iván Duque, e o assessor de Segurança Nacional do presidente Donald Trump, Robert O'Brien.

Os Estados Unidos "apoiarão todos os esforços da Colômbia (...) para garantir a segurança do país, combater as organizações criminosas, algumas das quais são transnacionais, e com isso, ajudaremos a criar as condições de crescimento econômico" para ambas as nações, disse O'Brien.

Por sua vez, Duque destacou que o governo norte-americano "não só viu a importância de (...) continuar a combater efetivamente o narcotráfico e o terrorismo", mas também de "unir esses esforços (...) com investimento de qualidade em locais que foram afetados pela violência".

Os dois países apresentaram a iniciativa "Colombia Cresce" como um novo capítulo do Plano Colômbia, um pacote de ajuda de Washington para combater o narcotráfico no país sul-americano. Entre 2000 e 2016, os EUA deram mais de 7 bilhões de dólares por meio do acordo, mas o dinheiro foi usado no combate à guerrilha sem conseguir eliminar o tráfico.

"Estamos falando do novo Plano Colômbia", que "terá como foco a atuação contra o narcotráfico e o investimento em empregos e projetos no campo", assegurou Adam Boehler, presidente da Corporação Financeira dos EUA para o Desenvolvimento Internacional. Boehler afirmou ainda que os dois países se reunirão em duas semanas para divulgar um investimento de "bilhões de dólares".

Espiral de violência 

O anúncio ocorre em meio a uma espiral de violência que atinge a Colômbia e já resultou em 33 massacres este ano, segundo a ONU. O presidente colombiano atribui essa violência principalmente à luta entre grupos armados para controlar o narcotráfico, um conflito de quase seis décadas entre guerrilheiros, paramilitares, narcotraficantes e agentes do Estado que já fez cerca de nove milhões de vítimas.

Embora a situação na Venezuela tenha sido apresentada como parte da visita de O'Brien à Colômbia, Duque foi o único a expressar sua rejeição à "ditadura" de Nicolás Maduro.

Principal aliada dos Estados Unidos na região, a Colômbia faz parte do cerco diplomático que busca a saída do governante chavista do poder e reconhece o opositor Juan Guaidó como presidente da antiga potência petrolífera. Bogotá participa junto com 24 países de uma operação antidrogas no Caribe que, segundo Washington, tem como alvo o "regime corrupto" de Maduro.

Após quatro décadas de combate ao tráfico de drogas, a Colômbia é ainda o maior produtor de cocaína do mundo e os Estados Unidos, o maior consumidor./AFP

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