Korean Central News Agency/Korea News Service via AP
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EUA e Coreia do Norte concordam em realizar nova cúpula entre Trump e Kim

Washington e Pyongyang têm divergências com relação à desnuclearização, mas secretário de Estado, Mike Pompeo, demonstra otimismo e diz que presidente americano se reunirá com líder norte-coreano ‘o mais rápido possível’

O Estado de S.Paulo

07 Outubro 2018 | 21h36

PYONGYANG - O líder da Coreia do NorteKim Jong-un, concordou em participar de uma nova cúpula entre o norte-coreano e o presidente Donald Trump, “o mais rápido possível”. O anúncio foi feito neste domingo, 7, pelo secretário de Estado americano, Mike Pompeo, que viajou à Ásia no fim de semana e esteve em Pyongyang para se reunir com Kim.

Pompeo e Kim se encontraram por cerca de duas horas e depois participaram de um almoço de 90 minutos no domingo, 7. “É bom vê-lo de novo”, Pompeo disse a Kim, enquanto os dois apertavam as mãos para as câmeras antes do almoço. O secretário de Estado colocou a mão no ombro de Kim e ambos sorriram. “Estou muito feliz por esta oportunidade. Depois de uma boa reunião, podemos desfrutar uma refeição juntos”, disse Kim.

Enquanto a dupla se sentava para almoçar, Kim disse: “É um dia muito bom, que promete um bom futuro para os dois países”. Pompeo disse que teve uma “ótima visita” e uma “manhã muito bem-sucedida”, acrescentando que Trump enviou seus cumprimentos. Ambos falaram por meio de tradutores.

Pompeo deixou Pyongyang à tarde e foi para Seul se encontrar com o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, onde afirmou que “fechou um acordo com Kim para uma segunda cúpula entre EUA e Coreia do Norte o quanto antes”. A primeira cúpula entre o presidente americano e Kim aconteceu em junho, em Cingapura. “Continuamos avançando sobre o que foi acordado na cúpula de Cingapura”, tuitou o secretário de Estado. 

Um funcionário que acompanha a delegação, que pediu para não ser identificado, disse ao Washington Post que a viagem foi “melhor que a última”, mas acrescentou que ainda há uma “longa distância” a ser percorrida em razão de “divergências” entre as propostas.

No coração do impasse, há duas abordagens diferentes para a desnuclearização do país. Pompeo insistiu que as sanções contra a Coreia do Norte devem permanecer até que o país desmantele completamente seu programa nuclear. 

Não é assim que Pyongyang vê as coisas, nem é o que está sendo defendido por Seul. Em vez disso, eles querem que os dois lados adotem uma abordagem “em fases”, na qual Pyongyang é recompensada, aos poucos, por adotar medidas graduais para reverter seu programa nuclear.

A Coreia do Norte vem pedindo aos EUA que declarem formalmente o fim da Guerra da Coreia para acabar com a hostilidade entre os dois países. A guerra terminou com um armistício, mas sem tratado de paz.

Pompeo manteve sua posição, indicando que o espírito do acordo de junho, entre Trump e Kim, em Cingapura, era que “chegaríamos à desnuclearização de uma maneira totalmente verificada e irreversível. “Só então chegaremos a compromissos para tornar este futuro mais brilhante para o povo norte-coreano”, disse.

Segundo analistas, é possível que Washington afrouxe o laço, no momento em que China, Rússia e Coreia do Sul defendem a redução das sanções. “A Coreia do Norte deu alguns passos em direção à desnuclearização e os EUA vão se expor às críticas da comunidade internacional se continuarem a exigir a desnuclearização sem a retirada das sanções”, disse Yang Moo-jin, professor da Universidade de Estudos Norte-Coreanos, de Seul. / AFP e 

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