EUA e Coréia do Norte mostram cautela sobre acordo nuclear

Coréia do Norte e Estados Unidos advertiram contra conclusões rápidas sobre o primeiro dia de negociações de medidas para o fim do programa nuclear, apesar da perspectiva ter crescido nesta sexta-feira, quando negociadores debateram um plano para que Pyongyang suspenda as operações da usina nuclear dentro de dois meses. O negociador-chefe norte-coreano, Kim Kye-gwan, disse que sua equipe "pôde chegar a um acordo em alguns temas" com Washington. "Ainda há diferenças em uma série de assuntos nas negociações gerais, então tentaremos trabalhar neles", disse ele a repórteres. "Não se pode contar as galinhas antes que os ovos choquem, como alguém disse". A Coréia do Norte está sob forte pressão para aceitar um acordo, até mesmo da China, sua vizinha e antiga parceira, que ficou irritada com a ação nuclear de Pyongyang. Os diplomatas norte-coreanos não costumam falar com a imprensa e não manifestaram em público qual seria o preço exigido pelo país para aceitar o fechamento de Yongbyon, que produz plutônio que pode ser refinado para uso em armas nucleares. Uma fonte diplomática próxima dos debates entre seis países disse que a proposta preparada pela China afirma que a Coréia do Norte "suspenderá, fechará e lacrará" instalações nucleares na usina de Yongbyon dentro de dois meses, em troca de energia e ajuda econômica. Enviados às negociações manifestaram esperanças de que a Coréia do Norte está disposta a restringir suas ambições nucleares depois de mais de três anos de negociações infrutíferas. "Há uma percepção de que o primeiro passo que estamos estudando é um grande primeiro passo, e de certa maneira exigirá um pouco mais de ação deles", disse o negociador dos EUA, Christopher Hill, a repórteres depois do encontro com a delegação norte-coreana. "Acho que podemos manifestar otimismo cauteloso, mas não queremos contar as galinhas antes que os ovos sejam chocados", disse Hill, repetindo a posição manifestada pela secretária de Estado Condoleezza Rice na quinta-feira. "A posição da Coréia do Norte é que adotará medidas correspondentes se forem demonstrados que passos iniciais do abandono da política hostil dos EUA são irreversíveis", disse o jornal de Tóquio Choson Sinbo, que tem elos com a Coréia do Norte.

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