EUA e Coreia do Sul iniciam exercício militar

Manobras no Mar do Japão contam com a participação de 8 mil soldados e enfureceram a Coreia do Norte, que ameaçou usar suas armas nucleares

Cláudia Trevisan, correspondete em Pequim, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2010 | 00h00

EUA e Coreia do Sul deram início ontem a quatro dias de gigantescas manobras militares, apesar dos protestos da China e da ameaça do governo norte-coreano de usar armas nucleares e lançar uma "guerra sagrada" contra os dois aliados.

Batizado de "Espírito Invencível", o exercício mobiliza 8 mil marinheiros e pilotos, 200 jatos, 20 navios e o porta-aviões USS George Washington, um dos maiores da marinha americana. As atividades ocorrem no mar entre a península coreana e o Japão, que demonstrou seu apoio aos "jogos de guerra" com o envio de observadores militares.

A demonstração de força é uma reação ao ataque que, em março, afundou o navio sul-coreano Cheonan e provocou a morte de 46 marinheiros. Investigação realizada por especialistas de países aliados de Seul concluiu em maio que a embarcação foi atingida por um torpedo disparado de um submarino da Coreia do Norte.

As conclusões elevaram a tensão na região e colocaram a península à beira de um confronto. Pyongyang refutou as acusações e declarou que o país estava pronto para ir à guerra caso fosse alvo de punições. Até ontem, a retórica do regime comandado por Kim Jong-il não havia se transformado em ações. Muitos analistas acreditam que o tom beligerante tem relação com o processo de transferência do poder do ditador para seu filho mais novo, que deve ocorrer no segundo semestre.

A China, maior fiador da Coreia do Norte, protestou contra a realização das manobras militares dos EUA e da Coreia do Sul. A reação de Pequim levou Washington e Seul a abandonar a intenção de promover manobras no trecho a oeste da península coreana, próximo da costa da China. Os exercícios ocorrerão apenas no lado leste, também conhecido como Mar do Japão.

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, anunciou, em sua passagem por Seul, na semana passada, a aplicação das sanções adicionais à Coreia do Norte em resposta ao naufrágio do navio sul-coreano.

Para lembrar

O naufrágio do navio sul-coreano Cheonan foi considerado o mais grave incidente desde o fim da Guerra da Coreia, em 1953. Oficialmente, os dois países continuam em guerra desde então, uma vez que nenhum acordo de paz foi assinado. A Coreia do Norte tem sido acusada de inúmeros ataques nos últimos anos. No maior deles, em 1987, um avião comercial sul-coreano foi derrubado matando as 115 pessoas que estavam a bordo. A tensão maior concentra-se na definição dos limites marítimos, estabelecidos unilateralmente pela ONU, há 57 anos. Foi nesta região que o navio sul-coreano naufragou.

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