Yamil Lage / AFP
Yamil Lage / AFP

EUA e Cuba discutem obstáculos para retomada de relações diplomáticas

Expectativa é de que as negociações se concentrem em como os dois países podem encerrar meio século de inimizade

O Estado de S. Paulo

22 de janeiro de 2015 | 12h25

Os Estados Unidos e Cuba tentam eliminar obstáculos para normalizar suas relações com a chegada de uma delegação de alto nível a Havana, que nesta quinta-feira, 22, realiza o segundo dia de conversas com autoridades cubanas.

Os objetivos americanos durante a sessão desta quinta-feira incluem o levantamento das restrições a diplomatas dos Estados Unidos em Cuba e garantias de que os cubanos terão acesso irrestrito à futura embaixada americana no país. Os americanos dizem que a retomada de relações diplomáticas plenas depende da rapidez com que esses pedidos sejam atendidos.

Cuba exige sua remoção de uma lista dos Estados Unidos contendo países que patrocinam o terrorismo, algo que Washington diz que está estudando.

Na quarta-feira, os Estado Unidos disseram ter despachado mais navios para o Estreito da Flórida com o objetivo de deter cubanos que tentam chegar ao território americano em balsas improvisadas. Washington rejeitou, porém, as exigências de mudanças mais amplas para as regras de migração do país, que concedem direito de moradia praticamente automático a qualquer cubano que toque o solo dos Estados Unidos.

O governo cubano responsabiliza a política do tempo da Guerra Fria por fazer com que milhares de cubanos, todos os anos, enfrentem perigosas jornadas por terra e por mar para chegar aos Estados Unidos. Ainda assim, muitos cubanos temem que a eliminação das regras eliminem suas chances de ter uma vida melhor em território americano.

Em Washington, o secretário de Segurança Interna, Jeh Johnson, disse que a política dos "pés molhados, pés secos", que geralmente protege os cubanos da deportação se chegarem ao território dos Estados Unidos, permanece em vigor.

As autoridades americanas relataram um aumento no número de pessoas tentando chegar à Flórida, pelo mar, após o anúncio de 17 de dezembro de que os países normalizariam suas relações, mas esses números parecem ter diminuído nos último dias.

"Cuba quer um relacionamento normal com os Estados Unidos, no sentido mais amplo, mas também na área de migração", disse a responsável por assuntos americanos em Cuba, Josefina Vidal. Ela pediu aos Estados Unidos que encerrem "o tratamento excepcional que nenhum outro cidadão do mundo recebe, o que provoca uma situação irregular no fluxo de migrantes".

As autoridades americanas, por sua vez, pressionam Cuba a receber de volta milhares de seus cidadãos que as autoridades dos Estados Unidos querem deportar porque foram condenados por crimes. Nenhum progresso foi feito nesse sentido, segundo um funcionário que esteve presente na reunião e falou em condição de anonimato.

A expectativa é que as negociações desta quinta-feira se concentrem numa questão mais ampla, sobre como Estados Unidos e Cuba podem encerrar meio século de inimizade, como prometido pelos presidentes Barack Obama e Raúl Castro no mês passado. Os países esperam restabelecer suas embaixadas e nomear embaixadores para cada uma das capitais nos próximos meses. / Associated Press

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