EUA e Europa ficam céticos sobre plano nuclear do Irã

A declaração recente do Irã de que está prestes a concluir um acordo que prevê a redução das atividades de enriquecimento de urânio no país foi recebida com ceticismo por autoridades dos Estados Unidos e da Europa hoje, segundo as quais o discurso de Teerã ainda não foi acompanhado por ações concretas a respeito do assunto. Ontem, o Ministro de Relações Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, disse que o governo está "perto de um acordo final" sobre seu programa nuclear e assegurou que o país está agindo seriamente em relação ao assunto. Ele citou que, no início da semana, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, sugeriu que aceitaria exportar uma quantidade significativa de urânio para enriquecimento em outros países.

AE-AP, Agencia Estado

06 de fevereiro de 2010 | 13h03

No entanto, o ministro de Relações Exteriores da Alemanha, Guido Westerwelle, afirmou que a declaração de Mottaki não traz nada de novo e acrescentou que o Irã recebeu uma proposta razoável para colocar um fim no impasse com as potências ocidentais, que não acreditam na pacificidade do programa nuclear iraniano. "O Irã com armamentos nucleares é algo inaceitável para nós" e "levaria a uma desestabilização de toda a região", disse Westerwelle durante uma conferência com as principais autoridades de defesa do mundo em Munique.

Já o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, disse durante uma visita a Ancara, na Turquia, que talvez seja a hora de adotar uma "tática diferente" com o Irã. "A realidade é que eles não fizeram nada para oferecer garantias à comunidade internacional" ou "para interromper o progresso (da construção) de uma arma nuclear", disse Gates. "Portanto, vários países precisam pensar se é hora de adotar uma tática diferente."

Paralelamente à conferência em Munique, Mottaki reuniu-se com o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yukiya Amano, a portas fechadas, mas não se sabe se ele trouxe novas propostas para a mesa de negociações. A AIEA elaborou um acordo segundo o qual o Irã precisaria exportar 70% de seu estoque de urânio e esperar um ano para que esse material fosse devolvido como combustível para seu reator nuclear. O país não aceitou o acordo, argumentando que quer uma redução no prazo estipulado para a devolução do urânio. A ONU estuda impor uma quarta rodada de sanções ao país para desestimular o governo a continuar com o programa nuclear.

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