EUA e Europa já pensam no uso da força na crise síria

Em meio ao impasse sobre o plano de Annan, potências alertam que pedirão uma resolução para impor cessar-fogo

JAMIL CHADE , CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

01 de julho de 2012 | 03h04

Estados Unidos e Europa propuseram ontem a aprovação de uma resolução no Conselho de Segurança da ONU permitindo o uso da força para impor um cessar-fogo na Síria, onde confrontos entre forças de Bashar Assad e opositores de seu regime já deixaram 15,8 mil mortos.

Ontem, em Genebra, as principais potências reuniram-se no que seria um encontro decisivo para o futuro de Bashar Assad. Mas o debate que estava previsto para durar apenas duas horas se arrastou por mais de oito, diante do impasse entre as potências e a recusa de Rússia e China em aceitar o novo projeto do mediador Kofi Annan de promover uma transição política sem a presença de Assad e de impor um cessar-fogo.

Diante do impasse, a ONU ameaçou abandonar definitivamente a Síria, enquanto Annan fez uma dura acusação de que era justamente a divisão da comunidade internacional que permitiu que o conflito na Síria atingisse o ponto em que está hoje. Enquanto potencias não chegavam a um acordo, o confrontos na Síria deixavam pelo menos mais 25 mortos ontem em uma invasão das tropas do governo ao bairro de Douma, na capital Damasco.

Rússia e China recusam-se a aceitar o plano, que previa a formação de um governo de transição, a saída forçada de Assad e um embargo de armas.

Moscou também alertou que vetará uma resolução, como a que os britânicos propuseram ontem evocando o capítulo 7.º da Carta da ONU, que permite o uso da força em casos de ameaça à paz mundial.

Os países ocidentais querem circular amanhã um projeto de resolução estabelecendo que uma violação de um cessar-fogo por parte de Assad será respondido com "penalidades e ações". Ou seja, uma resposta militar para garantir o cessar-fogo. "Ninguém quer um conflito armado", insistiu William Hague, chefe da diplomacia britânica. "Mas o Conselho de Segurança deve assumir suas responsabilidades e deter Assad."

O encontro, que era tido como o último esforço diplomático, expõe as diferenças entre Moscou e Washington. "Ou vocês se unem ou fracassarão juntos", advertiu Annan aos ministros. "A história nos julgará de uma forma dura se não formos capazes de encontrar um caminho."

Ao desembarcar em Genebra, o chanceler russo, Sergei Lavrov, avisou que quatro dos dez pontos do acordo não seriam aceitos por ele, entre eles a exigência do estabelecimento de um governo de transição sem a presença de Assad. Moscou também se recusava a aceitar o projeto de um embargo de armas. O Kremlin, que mantém uma base militar na Síria e é acusado de armar Assad, propunha que o embargo fosse aplicado apenas para a entrada ilegal de armas. Ou seja, apenas a oposição seria afetada pela medida. Para Liga Árabe, Casa Branca e Europa não há como pensar numa transição política na Síria com a presença de Assad no poder.

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