Markus Schreiber/AP
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EUA e europeus ampliam pressão para reforçar sanções ao Irã após relatório

Exigência de medidas mais duras contra o país persa ocorre depois de documento da agência nuclear da ONU acusar Teerã de tentar obter armas atômicas; principal obstáculo no Conselho de Segurança são Rússia e China, que possuem poder de veto

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2011 | 03h05

NOVA YORK - Apesar da oposição da Rússia e da China, os EUA e seus aliados europeus defenderam ontem uma nova rodada de sanções contra o Irã no Conselho de Segurança das Nações Unidas. A pressão por medidas mais duras ocorre depois da publicação, na terça-feira, de um relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) acusando o regime de Teerã de estar tentando desenvolver armas nucleares.

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"Precisamos realizar uma reunião do Conselho de Segurança porque o Irã se recusa a cooperar com a comunidade internacional. Desta forma, deveríamos adotar sanções de uma escala sem precedentes", disse o chanceler da França, Alain Juppé.

O secretário de Relações Exteriores da Grã-Bretanha, William Hague, seguiu na mesma linha de seu par francês e indicou que as sanções "deveriam afetar o sistema financeiro iraniano, o setor de petróleo e gás, além da designação de entidades e indivíduos envolvidos no programa nuclear iraniano".

Segundo o Estado apurou, assim como no caso da Líbia, os EUA optaram por deixar seus aliados europeus na vanguarda de uma nova iniciativa por sanções contra o Irã. Desta forma, os americanos buscam evitar acusações de que estariam por trás do relatório da AIEA. Desde 2006, o regime iraniano foi alvo de quatro resoluções no Conselho de Segurança, sendo a última em 2010, quando Brasil e Turquia votaram contra.

O obstáculo principal para uma nova resolução no Conselho de Segurança é a oposição da Rússia e da China. Os dois países, como membros permanentes do órgão decisório da ONU, possuem poder de veto.

Segundo o vice-chanceler russo, Gennadi Gatilov, "sanções adicionais serão vistas pela comunidade internacional como um instrumento para mudança de regime no Irã. Para nós, esta estratégia é inaceitável e a Rússia não considerará as propostas". A China, por meio de sua chancelaria, pediu diálogo, acrescentando não haver uma prova conclusiva de que o Irã esteja em busca de uma bomba atômica. Teerã é o terceiro principal exportador de petróleo para a China. No primeiro semestre, as vendas cresceram 58%.

No relatório, a agência nuclear da ONU afirma que o programa nuclear iraniano possui fins militares e cita uma série de evidências. Teerã rejeitou as provas. De acordo com um texto publicado na agência estatal Irna, as informações da AIEA têm como base o conteúdo de um computador de uma autoridade iraniana que foi roubado em 2004.

A agência admite ter usado informações desse computador, mas as comparou com informações de inteligência de dez países-membros do órgão com base em Viena e também no trabalho dos investigadores. Em outro ponto, a Irna disse que testes para a fabricação de uma arma nuclear foram realizados apenas em computador, sem nunca terem sido colocados em prática.

"Vocês conseguiram alguma coisa além de miséria e desgraça com estas medidas?", disse o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, referindo-se à AIEA. "O Irã não recuará de seu destino."

O premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, disse que "o relatório é relevante, pois demonstra que a busca do Irã em produzir armas nucleares deve ser cessada". Na semana passada, foram vazadas informações de que Israel planeja um ataque contra as instalações nucleares iranianas.

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