EUA e França elevam nível de alerta e Iraque adverte para ataques do EI

Autoridades de Nova York anunciaram na quarta-feira o reforço da segurança na cidade e região, em resposta à elevação do risco de potenciais ataques terroristas em meio ao acirramento do conflito entre os EUA e grupos extremistas, entre as quais o Estado Islâmico (EI). Também ameaçada por grupos jihadistas, a França anunciou que vai adotar medidas antiterrorismo.

CLÁUDIA TREVISAN, ENVIADA ESPECIAL / NOVA YORK, ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2014 | 02h01

"O agravamento da tensão com a comunidade terrorista internacional é inegável. Também é inegável que esta região é alvo potencial para atividades ofensivas", declarou o governador de Nova York, Andrew Cuomo na quarta-feira, sem fazer referência a uma ameaça específica.

As medidas foram divulgadas um dia antes de o novo primeiro-ministro do Iraque, Haider al-Abadi, anunciar em Nova York que seu governo prendeu combatentes do EI que planejavam realizar ataques terroristas na França e nos EUA. Autoridades americanas disseram não ter indicação de que há risco de ataques ao país.

O primeiro-ministro iraquiano afirmou, após participar da Assembleia-Geral da ONU, que todos detidos suspeitos de serem jihadistas são estrangeiros, entre os quais americanos e franceses. "Hoje, enquanto estou aqui, estou recebendo relatos de Bagdá de que houve prisões de alguns elementos e havia redes dentro do Iraque (...) para atacar os metrôs de Paris e dos EUA", afirmou.

A porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, Caitlin Hayden, disse que os EUA revisarão os dados divulgados pelos iraquianos antes de se pronunciarem.

Ontem, o governador de Nova York divulgou nota na qual disse estar tratando com o "máximo de precaução" os dados fornecidos por Abadi. "Quero assegurar à população de Nova York que estamos monitorando esses relatos de perto e estamos em comunicação com autoridades em Washington."

Nota enviada pelo FBI e o Departamento de Segurança Interna a departamentos de polícia alertou para o risco de os ataques aéreos que os EUA estão lançando na Síria e no Iraque estimularem a realização de atentados por indivíduos ou grupos nos EUA.

O governo da França anunciou ontem que vai reforçar a segurança interna do país com medidas de contraterrorismo, ao mesmo tempo em que intensificará os bombardeios a posições do grupo extremista no Iraque. As iniciativas foram anunciadas um dia após a decapitação do guia turístico Hervé Gourdel por radicais na Argélia.

Segundo uma nota do Palácio do Eliseu, as Forças Armadas intensificarão o patrulhamento de locais públicos - aeroportos, pontos turísticos, shoppings centers, transportes coletivos - e a vigilância sobre redes de recrutamento e a partida e o retorno de "jihadistas europeus". O governo francês disse desconhecer as ameaças divulgadas por Abadi, mas reconhece que a presença de islamistas franceses - seriam 900 lutando na Síria e no Iraque - amplia o risco de ataques em caso de retorno.

A França voltou a atacar ontem posições do EI no Iraque e a coalizão liderada pelos EUA bombardeou 12 pequenas refinarias de petróleo na Síria, para reduzir as fontes de recursos do grupo radical. O petróleo produzido nesses refinarias rende diariamente até US$ 2 milhões diários ao EI.

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