EUA e Grã-Bretanha avançam em esboço de nova resolução

Os representantes americanos e britânicos na ONU preparam o texto de uma nova resolução do Conselho de Segurança (CS) que abriria caminho para o uso da força contra o Iraque. Um esboço começou a ser discutido na segunda-feira pelos embaixadores dos EUA, John Negroponte, e da Grã-Bretanha, Jeremy Greenstock, e pode começar a circular ainda amanhã entre os outros 13 membros do CS. A proposta seria encaminhada formalmente ao Conselho ainda nesta semana ou, mais provavelmente, no início da próxima, segundo o porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer.Diplomatas a par do trabalho de Negroponte e Greenstock disseram que a resolução declarará o Iraque em ?violação material? de suas obrigações de desarmamento e reiterará que o país enfrentará agora "sérias conseqüências" - advertência já incluída na última Resolução, a 1.441, de novembro. O texto exigirá a eliminação das armas de destruição em massa dentro de um número especificado de dias, mas provavelmente não fará um chamado explícito para o uso da força.O governo Bush ainda insiste, nas declarações à imprensa, não ser necessária uma nova resolução para autorizar o uso da força, pois considera que as já existentes dão margem à ação militar. No entanto, a Casa Branca cedeu a seus dois principais aliados no CS, a Grã-Bretanha e a Espanha, que prefeririam só deslanchar um ataque sob o amparo da ONU, uma vez que enfrentam forte oposição popular à guerra.Segundo o diário The Washington Post, o governo Bush planeja dar curso a pelo menos mais duas semanas de diplomacia antes de tomar a decisão de atacar o Iraque, e pode concordar em dar um prazo para Saddam Hussein, o líder iraquiano, destruir seu arsenal de armas químicas e biológicas. No domingo, a conselheira de Segurança Nacional da Casa Branca, Condoleezza Rice, deixou implícito que "a brecha diplomática" seria encerrada depois da próxima reunião do conselho, em 1º de março, quando os 15 membros ouvirão o novo relatório do chefe dos inspetores de armas químicas e biológicas da ONU, Hans Blix, sobre o trabalho de sua equipe no Iraque.Por essa época, a concentração de tropas e equipamento miltiar dos EUA e da Grã-Bretanha no Golfo Pérsico terá atingido níveis mais do que adequados para deslanchar um ataque por volta de meados de março, assinala o Post. Outras nações também alinhadas com a Casa Branca querem um aval do CS para uma intervenção militar.Hoje o CS iniciou uma sessão aberta, de dois dias, para permitir aos demais membros da ONU expressarem suas opiniões sobre a posição a tomar em relação ao Iraque. Embaixadores de pelo menos 60 países se inscreveram para participar do debate.

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