EUA e Grã-Bretanha espionaram Israel e União Europeia, dizem jornais

Reportagens do 'The Guardian' e 'The New York Times' colocam nomes como do ex-primeiro-ministro de Israel Ehud Olmert e o ex-ministro da Defesa israelense Ehud Barak entre os vigiados

O Estado de S. Paulo,

20 de dezembro de 2013 | 17h42

LONDRES - Espiões britânicos e americanos espionaram um alto funcionário da União Europeia, edifícios do governo alemão e o gabinete de um primeiro-ministro israelense, de acordo com os mais recentes documentos vazados por Edward Snowden e publicados nesta sexta-feira, 20.

Outros alvos entre 2008 e 2011 incluíram empresas de energia estrangeiras e organizações de ajuda humanitária, afirmaram os jornais The Guardian e The New York Times, citando documentos secretos do ex-prestador de serviços da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) dos EUA.

Snowden chamou a atenção para a vigilância generalizada da NSA e sua contraparte britânica GCHQ, o que tem perturbado muitos aliados dos EUA e alimentado um debate acalorado sobre o equilíbrio entre privacidade e segurança. Ele vive atualmente na Rússia sob asilo temporário.

Os jornais relataram que em janeiro de 2009 a GCHQ e a NSA tiveram como alvo um endereço de email listado como pertencente ao primeiro-ministro israelense, que na época era Ehud Olmert. Os espiões também monitoraram o tráfego de emails entre o então ministro da Defesa israelense Ehud Barak e seu chefe de gabinete Yoni Koren, disseram os jornais.

Outros alvos teriam sido o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF, em inglês), a organização de ajuda francesa Médicos Sem Fronteiras, a empresa de petróleo e gás francesa Total e a empresa de defesa francesa Thales Group.

Joaquin Almunia, comissário europeu para questões de concorrência, que supervisiona as investigações antimonopólio e envolvido em um longo caso com o Google, foi outro que apareceu em documentos da GCHQ, embora não estivesse claro quem ordenou a vigilância.

Uma porta-voz da NSA disse que a agência não usou a espionagem para ajudar empresas americanas. "Nós não usamos as nossas capacidades de inteligência estrangeiras para roubar segredos comerciais de empresas estrangeiras em nome de empresas americanas para aumentar sua competitividade internacional", disse o porta-voz.

"Os esforços da comunidade de inteligência para compreender sistemas econômicos e políticas, e monitorar atividades econômicas anômalas, são essenciais para fornecer aos formuladores de políticas informações que precisam para tomar decisões que são do melhor interesse da nossa segurança nacional."

No entanto, a Comissão Europeia disse que seria "inaceitável" se um de seus altos funcionários realmente tiver sido alvo de espionagem.

"Esta notícia segue uma série de outras revelações que, como afirmamos claramente no passado, se verdadeiras, são inaceitáveis e merecem a nossa mais firme condenação", disse um porta-voz. "Este não é o tipo de comportamento que esperamos de parceiros estratégicos, e muito menos de nossos próprios Estados membros."

O Guardian disse que a revelação de que a GCHQ tinha como alvo prédios do governo alemão em Berlim foi embaraçosa para o primeiro-ministro britânico, David Cameron, já que ele tinha assinado uma declaração da UE condenando a espionagem da NSA contra Merkel.

A GCHQ afirmar estar ciente das reportagens, mas não fez comentários sobre assuntos de inteligência. Um porta-voz disse: "Nosso trabalho é realizado de acordo com uma estrutura jurídica e política rigorosa que garante que nossas atividades são autorizadas, necessárias e proporcionais".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.