EUA e Grã-Bretanha estudam armar rebeldes na Líbia

Autoridades dos dois paíes e da França dizem que resolução da ONU não impediria o fornecimento de armamentos.

BBC Brasil, BBC

30 de março de 2011 | 06h27

Segundo Obama, opção de ceder armas não está descartada

Os Estados Unidos e a Grã-Bretanha não descartam fornecer armamento para as forças rebeldes que lutam contra as tropas do líder da Líbia, o coronel Muamar Khadafi.

O ministro das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, William Hague, sugeriu que poderiam ser enviadas armas para os militantes anti-Khadafi, a despeito do embargo de armas que vigora sobre o país.

Na terça-feira, o presidente americano, Barack Obama, havia dito que o líder líbio, Muamar Khadafi, está "muito enfraquecido", mas ainda tem mais força em terra do que os que lutam para tirá-lo do poder, e não descartou o fornecimento de armas por parte dos americanos para os rebeldes.

"Não vou especular sobre isso. Acho que é correto dizer que, se quiséssemos enviar armas para dentro da Líbia, nós provavelmente conseguiríamos. Nós estamos considerando todas as opções neste momento", afirmou o presidente, em entrevista à jornalista Diane Sawyer, da rede de TV ABC.

O secretário-adjunto dos Estados Unidos para Assuntos Europeus, Philip Gordon, afirmou que armar civis líbios seria algo permitido pelos termos da ONU, mas acrescentou que isso não é algo que os países que integram a coalizão que está promovendo a operação militar contra alvos de Khadafi tenham se decidido a fazer.

O ministro das Relações Exteriores da França, Alain Juppé, afirmou que seu país está disposto a manter discussões com seus aliados a respeito da possibilidade de fornecer ajuda militar para o movimento de oposição.

Reunião

Na terça-feira, cerca de 40 enviados dos países-membros da coalizão que realiza a ofensiva militar na Líbia, da Otan, da Liga Árabe e da ONU, se reuniram em Londres e prometeram manter a pressão para que Khadafi abandone o poder.

Representando o governo americano, a secretária de Estado, Hillary Clinton, disse que apesar de sanções aprovadas pela ONU proibirem o fornecimento de armas à Líbia, essa proibição não se aplica mais após a resolução 1973, que autorizou a ação militar e prevê o estabelecimento de uma zona de exclusão aérea na Líbia e "todas as medidas necessárias" para proteger "civis e áreas habitadas por civis" de ataques por parte das forças do coronel Khadafi.

"É nossa interpretação que (a resolução do Conselho de Segurança da ONU) 1973 alterou e substituiu a proibição absoluta de armas para a Líbia", disse Hillary.

Ação militar

Obama lembrou que a ação militar aprovada pela ONU - iniciada há 10 dias, sob a liderança dos Estados Unidos - conseguiu instituir uma zona de exclusão aérea na Líbia, impedindo as forças de Khadafi de lançarem ataques aéreos contra os rebeldes. O presidente afirmou ainda que, como o mandato da ONU prevê a proteção de civis, caso o líder líbio tente avançar sobre cidades dominadas pelos rebeldes, como Benghazi, a coalizão também poderá proteger essas populações.

"Ele está muito enfraquecido. Suas forças foram desintegradas", disse.

No entanto, o presidente americano afirmou que as forças de Khadafi ainda são mais poderosas que as dos rebeldes em terra. "O que é absolutamente verdade é que, se você medir sua capacidade remanescente com a dos rebeldes ou da oposição, ele ainda é mais poderoso em solo", afirmou o presidente americano.

Nesta terça-feira, após dias de avanço dos rebeldes, com a ajuda da ação militar da coalizão, as forças de Khadafi intensificaram os ataques e conseguiram retomar o controle uma das cidades mais importantes do país, Bin Jawad.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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