EUA e Inglaterra lançam ofensiva diplomática

Os governos norte-americano e britânicovão deslanchar esta semana uma ofensiva diplomática para obterapoio ao ataque contra o Iraque. O primeiro-ministro daGrã-Bretanha, Tony Blair, ia reunir-se hoje com o chefe degoverno italiano, Silvio Berlusconi - um dos fortes aliados deWashington - e depois de amanhã se encontrará com oprimeiro-ministro da Espanha, José María Aznar (outro que sealinha com os Estados Unidos). Como parte dessa ofensiva, o secretário norte-americano deEstado, Colin Powell, deve apresentar no dia 5 o que prometeuserem provas convincentes de que o Iraque ainda mantém armas dedestruição em massa e tem ligações com a rede terroristaAl-Qaeda - acusação feita pelo presidente George W. Bush naterça-feira. Mas a grande maioria dos membros do Conselho de Segurança (CS)da ONU, reunido hoje para analisar o relatório dos inspetores noIraque, apóia a idéia de dar mais tempo à equipe de desarmamento disse o embaixador francês, Jean-Marc de la Sablière,atualmente presidindo o CS. Mas eles aguardam também opronunciamento de Powell. No fim da reunião, o embaixador norte-americano na ONU, JohnNegroponte, ressaltou que a "janela para uma saída diplomáticaestá se fechando" e o representante da Espanha, Inocencio Arías disse estar de acordo em "dar um pouco mais de tempo" àsinspeções. A Espanha é um dos países que não descartam apossibilidade de apoiar um ataque americano, mesmo sem o aval doCS. Na reunião de hoje, o embaixador russo, Serguei Lavov, pediuque os EUA apresentem "provas inegáveis" de que o Iraque aindapossui armas que lhe são proibidas. Powell admitiu hoje em entrevista à TV britânica Channel 4 queos EUA poderão considerar a possibilidade de votação de umasegunda resolução do Conselho de Segurança, antes de atacar oIraque. Nas últimas semanas e no discurso feito pelo presidente Bush,na terça-feira, o governo americano destacou que não precisariade um mandato da ONU para uma ação militar. O secretário de Estado também declarou que os EUA poderiamajudar Saddam Hussein a encontrar um lugar para ir para o exílio se ele concordar em deixar o Iraque. Segundo Powell, "issocertamente seria um modo de se evitar a guerra". Horas antes do encontro com Blair, o primeiro-ministroitaliano anunciou hoje ter dado permissão aos EUA parautilizarem suas bases militares na Itália para reabastecimento eoutras "necessidades técnicas" em uma possível guerra contra oIraque. A decisão é uma das poucas ofertas concretas de um país nocontinente europeu. Hoje, durante discurso do chefe da PolíticaExterna e de Segurança da União Européia no Parlamento europeu,em Bruxelas, vários deputados protestaram contra a guerra. Três grupos políticos de centro e esquerda apresentaram umaresolução assinalando que "a violação da Resolução 1.441 nãojustifica a ação militar".

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