EUA e Iraque discutem novo plano para enfrentar violência em Bagdá

O presidente George W. Bush e o primeiro-ministro do Iraque, Nuri al-Maliki, irão discutir na terça-feira um plano para transferir mais tropas americanas e iraquianas de outras partes do país para Bagdá. Na reunião na Casa Branca, a primeira de Maliki, os dois líderes buscarão meios de enfrentar a violência, já que o plano de segurança apresentado pelo premier iraquiano há um mês não está funcionando. "Um dos principais desafios é, obviamente, (...) encontrar umcaminho efetivo para garantir a segurança em Bagdá", declarou nesta segunda-feira em entrevista coletiva o porta-voz da Casa Branca, Tony Snow.Na sua opinião, "está muito claro que há uma tentativa de criar o maior caos e confusão possível em Bagdá" na atualidade e por isto a situação na capital iraquiana "terá a maior prioridade para o presidente e o primeiro-ministro".Snow não comentou as alternativas analisadas para a devolução da estabilidade para Bagdá e que, segundo outras fontes oficiais americanas, poderiam incluir o envio de tropas para a cidade.As fontes destacam a possibilidade de Bush e de Maliki selarem "um acordo sobre os passos que devem ser dados" nesta questão e "sobre mudanças de ênfase, mudanças de recursos" e inclusive movimentos de forças de algumas áreas para outras do país, na qual voltaram a surgir os temores de que aconteça uma guerra civil.É uma hipótese que o primeiro-ministro iraquiano descartou hoje totalmente em declarações dadas em Londres, onde realizou uma parada anterior à sua visita à Washington para se reunir com o primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair.Segundo Maliki, há "muitos, muitos corpos" em hospitais de Bagdá como resultado da luta sectária, mas "não haverá guerra civil".Em termos similares, as fontes americanas afirmaram que o Iraque teve "um aumento da violência sectária, o que não constitui uma guerra civil".Há cerca de 127 mil soldados americanos no Iraque. Ainda não está claro quantos soldados americanos serão deslocados para Bagdá em virtude no novo plano de segurança. Há duas semanas, o secretário de Defesa, Donald H. Rumsfeld em Bagdá informou que o efetivo na capital subiu de 40 mil para 55 mil.O número de vítimas também aumentou nos últimos dias apesar de o Governo iraquiano ter começado oficialmente no último sábado a aplicar o plano de reconciliação nacional no Iraque, um projeto que tenta envolver todos os grupos, etnias e crenças religiosas no diálogo político.Por enquanto, a iniciativa ainda não teve resultados, pois pelo menos 55 pessoas morreram e mais de 120 ficaram feridas no último domingo em dois atentados com veículos cheios de explosivos em Bagdá e na cidade petrolífera de Kirkuk.Negociações Bush tentará descobrir o que não está dando certo em seu encontro com Maliki, que inicia sua rápida agenda de amanhã com um café da manhã com o conselheiro de Segurança da Casa Branca, Steven Hadley, antes de sua reunião com o presidente dos Estados Unidos, prevista para as 10h30 de Brasília.Maliki também vai, segundo políticos de seu partido, fazer pedidos que se chocam com a política externa dos EUA. Entre eles, o de que soldados americanos sejam julgados pela lei iraquiana e que Bush conclame Israel a parar os ataques ao Líbano. O primeiro-ministro iraquiano, que irá ao Salão Oval acompanhado por vários de seus ministros, entre eles o de Relações Exteriores, Petróleo e Eletricidade, participará depois de um almoço de trabalho com Bush e de um encontro com membros do gabinete do presidente dos EUA.Na quarta-feira Maliki irá ao Congresso americano e se reunirá com mais autoridades governamentais e na quinta-feira viajará para Nova York, a última etapa de sua primeiro viagem oficial ao Reino Unido e aos EUA desde que assumiu há dois meses seu cargo.

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