Pablo Martinez Monsivais/AP
Pablo Martinez Monsivais/AP

EUA e Israel concordam com solução diplomática para conflito com Irã

Obama e Netanyahu discutiram se devem atacar país para inibir seu programa nuclear

05 de março de 2012 | 19h49

WASHINGTON - Os Estados Unidos e Israel concordaram que a diplomacia é a melhor forma de resolver a crise sobre o programa nuclear iraniano, de acordo com o presidente norte-americano, Barack Obama.

 

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A declaração representa uma visão otimista que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, evitou apoiar publicamente. Os líderes se reuniram nesta segunda-feira, 5, na Casa Branca, para discutir se devem inibir o desenvolvimento do programa nuclear iraniano com um ataque militar.

De acordo com Obama, os EUA vão considerar todas as alternativas no momento de confrontar o que o país considera o resultado inaceitável de uma bomba nuclear iraniana. "Israel e EUA estão juntos", declarou Netanyahu. Ele afirmou que Israel é uma nação soberana com direito a defender-se e "deve seguir sendo dono do seu destino".

O objetivo de Obama é convencer o premiê israelense que contenha as pressões de muitos no seu governo para atacar instalações nucleares do Irã. O presidente quer impedir que Israel ataque o país, por considerar a iniciativa prematura. Em um discurso feito no último domingo, Obama afirmou que não deseja participar de uma guerra contra o Irã e insistiu que atacará o Irã somente se esta for a única opção para impedir a elaboração de uma arma nuclear.

 

Protestos na Casa Branca

Cerca de 100 israelenses, palestinos e ativistas americanos protestaram nesta segunda-feira em frente à Casa Branca por ocasião da reunião mantida entre o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

Enquanto judeus israelenses ortodoxos protestaram contra o que consideram um abuso da religião por parte do Estado de Israel, os ativistas pró-palestinos se opuseram a uma hipotética intervenção militar no Irã.

"Queremos que Obama e os lobbies saibam que seria uma grande tragédia para os EUA e Israel realizar ações militares na região", disse à Agência Efe o ativista Andrew Meyer, porta-voz da Fundação Rachel Corrie, de direitos humanos. Para ele, é "materialmente impossível" que o Irã desenvolva armas nucleares e, por isso, ele defende a diplomacia como solução às tensões.

Meyer reiterou a reivindicação pelo fim imediato da "ocupação israelense" nos territórios palestinos e denunciou a grave situação humanitária desse povo.

Já o rabino Yisroel Dovid Weiss se opôs frontalmente à ação política e militar do governo de Benjamin Netanyahu porque considera que os governantes israelenses estão transformando a religião judaica em nacionalismo.

"O sionismo foi se convertendo em uma nova ideologia desenvolvida por gente que odeia Deus e consiste em transformar a religião em nacionalismo", declarou o rabino.

Porta-voz de um grupo de judeus americanos e israelenses, Weiss afirmou à Efe que "tomar uma parte de território e deixá-la para outras pessoas significa simplesmente abusar dos direitos humanos". Ele desaconselhou os lobbies nos EUA a falarem "em nome dos israelenses e do judaísmo".

O rabino se referiu ao discurso do presidente Obama no domingo passado no principal lobby pró-israelense nos EUA, o Aipac (Comitê de Assuntos Públicos Americano Israelense).

 

As informações são da Efe e Associated Press.

 
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