EUA e Israel devem boicotar conferência na Suiça

Os governos dos Estados Unidos e de Israel irão boicotar a conferência internacional, que se realiza amanhã em Genebra, para debater a proteção da população civil nos territórios palestinos ocupados pelos israelenses.A reunião foi convocada pela Suíça há um mês e contará com a presença dos países-membros da Convenção de Genebra, que regulamenta desde 1949 a proteção de civis durante guerras e ocupações."Não vamos nos reunir para falar sobre como o conflito no Oriente Médio deve ser solucionado, nem mesmo dar um tratamento político ao tema. O que faremos será tratar,de uma forma equilibrada e legalista, das garantias que as populações civis devem ter em situações de conflitos", afirma um diplomata suíço. DeclaraçãoMas no rascunho da declaração que deverá ser aprovada amanhã, obtido pela Agência Estado, fica claro que o conteúdo é bastante polêmico e contrário à política do governo de Ariel Sharon. O projeto de declaração considera ilegais os assentamentos judeus em territórios ocupados depois da Guerra dos Seis Dias, em 1967. Além disso, a declaração pedirá que os lugares sagrados sejam respeitados e que Israel interrompa atos de tortura, assassinatos e apropriação de territórios.Segundo a proposta de declaração, Israel não deveria evitar represálias contra populações e não poderia restringir o livre movimento de pessoas. "Se todosrespeitarem as populações, as negociações de paz poderão ser facilitadas", acredita o diplomata de Berna. Tanto os Estados Unidos como Israel acreditam que a convocação da reunião não se justifica e de que se trata, na verdade, de mais uma forma de condenar a políticaisraelense para a região. Além disso, para Israel, não existem "territórios palestinos ocupados", mas "áreas em disputa". Neste caso, a Convenção sequer poderia ser invocada para proteger os civis palestinos. Esse parece não ser a visão da Suíça e dos países árabes, que alegam que Israeldesrespeita a Convenção de Genebra e que, desde o início da segunda intifada, em meados de 2000, cerca de mil pessoas já foram mortas, palestinos em sua maioria.

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