Christophe Ena/File/AP Photo
Christophe Ena/File/AP Photo

EUA e Israel finalizam saída da Unesco por estimular viés anti-israelita

Retirada havia sido anunciada em 2017; agência da ONU tem promovido ações para manter a permanência dos dois países no órgão

Redação, O Estado de S.Paulo

01 Janeiro 2019 | 11h12

PARIS - Os Estados Unidos e Israel oficialmente saíram da Unesco, agência de promoção educacional, científica e cultural da Organização das Nações Unidas (ONU). A retirada aconteceu na meia-noite desta terça-feira, 1º, após Washington e Tel Aviv declararem em de 2017 que a agência estimula um viés anti-israelita em suas ações.

A organização, localizada em Paris e fundada pelos EUA após a Segunda Guerra, foi denunciada por criticar a ocupação de Israel no Leste de Jerusalém, por nomear antigos patrimônios judeus como de origem palestina e por dar acesso completo de filiação à Palestina em 2011.

Os EUA haviam exigido uma “reforma fundamental” no órgão, conhecido pelo programa Patrimônio Mundial, que protege lugares culturais e tradicionais do mundo. A Unesco também trabalha para melhorar a educação de meninas, promover o conhecimento sobre os horrores do Holocausto e defender a liberdade de imprensa.

A retirada dos dois países não causará impacto financeiro sobre a agência, já que lida com um corte de financiamento desde 2011 quando Washington e Tel Aviv pararam de financiar a Unesco depois da inclusão da Palestina como Estado-membro.

Desde então, autoridades estimam que os EUA, responsável por 22% do orçamento total do órgão, acumulou US$ 600 milhões em valores não pagos, o que foi uma das razões para a saída anunciada por Donald Trump em 2017. Israel deve em torno de US$ 10 milhões.

Diálogos

A diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, de origem judaica e marroquina, tomou posse do cargo logo após o anúncio de saída dos dois países. Ela é responsável pelo lançamento de um website educacional sobre o Holocausto e pelas primeiras iniciativas para lutar contra o antissemitismo, ações vistas como uma resposta às preocupações dos EUA e de Israel.

Autoridades dizem que muitas das razões citadas pelos americanos para sair da Unesco não se aplicam mais, apontando que todos os 12 textos sobre o Oriente Médio aprovados na agência foram consensuais entre Israel e Estados árabes.

Em abril de 2018, o embaixador de Israel na agência comentou que o clima era “como de um casamento”, depois que as nações-membros assinaram um raro compromisso na “Palestina Ocupada” e diplomatas saudaram um possível avanço de longa data nas tensões árabes-israelitas.

O Departamento de Estado não fez comentários devido à paralisação do governo americano. Mais cedo, o departamento afirmou a autoridades da Unesco que os EUA pretende permanecer engajado com a agência como um “Estado observador” em questões “não politizadas”, incluindo a proteção de lugares declarados patrimônio mundial, advogando pela liberdade de imprensa e promovendo colaboração científica e educacional.

Durante a administração Reagan, de 1981-1989, os Estados Unidos saíram da Unesco em 1984 porque consideravam a agência com má manutenção, corrupta e utilizada para promover os interesses dos soviéticos. Os EUA foram readmitidos em 2003. / AP

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