EUA e Israel são maior ameaça à paz, diz chanceler iraniano

Israel e os Estados Unidos são as maiores ameaças à paz e à segurança no Oriente Médio, denunciou o ministro das Relações Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, durante discurso pronunciado nesta terça-feira em Genebra.A declaração do chanceler iraniano fez com que os integrantes das delegações americana e israelense deixassem o recinto onde ocorre um encontro da Conferência para o Desarmamento, que reúne 65 países.Perante o principal fórum multilateral de desarmamento, Mottaki lembrou que Israel é o único país da região que se recusa a assinar o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), apesar de no ano passado o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, ter admitido a posse de armas nuclear. Olmert nega a admissão.Na opinião de Mottaki, um Israel nuclear representa "uma ameaça especialmente grave à paz e à segurança regionais e internacionais". Ainda de acordo com ele, a situação exige uma "atitude séria, com a comunidade internacional adotando medidas práticas".´Regime sionista´Durante seu discurso, Mottaki não usou a palavra Israel, optando por referir-se ao país como "regime sionista". Segundo ele, "o regime sionista possui um passado negro e extenso de crimes e atrocidades, como ocupação, agressão, militarismo, terrorismo de Estado, crimes contra a humanidade e apartheid"."É surpreendente que nenhuma medida prática esteja sendo adotada para conter a fonte real de perigo nuclear no Oriente Médio ao mesmo tempo em que meu país está sob imensa pressão internacional para renunciar a seu direito inalienável de usar pacificamente a energia atômica", declarou Mottaki.Os EUA e outras potências ocidentais acusam o Irã de desenvolver em segredo um programa nuclear bélico. O governo iraniano nega e assegura que suas usinas atômicas têm fins estritamente pacíficos de geração de energia elétrica.Estados UnidosAinda segundo Mottaki, a outra grande ameaça à paz e à segurança no Oriente Médio vem dos Estados Unidos, que invadiram o Iraque com o pretexto de livrar a região de um arsenal de armas de destruição em massa supostamente mantido pelo ex-ditador iraquiano Saddam Hussein."Depois de anos procurando por essas armas de destruição em massa no Iraque, está muito claro que os preparativos para a invasão do Iraque foram baseados em informações falsas ou forjadas", disparou.Quanto ao resto, prosseguiu Mottaki, "é fácil julgar se há mais segurança ou insegurança na região como resultado de tão ampla operação militar. Aqueles que criaram essa situação no Iraque não podem se eximir de responsabilidade".O embaixador israelense Yitzhak Levanon disse ter considerado as acusações "tão ofensivas" que ele e sua delegação viram-se obrigados a abandonar o recinto durante o discurso. "Todos perceberam que saímos porque fizemos um pouco de barulho, demonstrando a todos que discordamos disso", disse ele.Os israelenses foram seguidos imediatamente pela delegação americana, afirmou Levanon. Diplomatas da missão americana a organismos multilaterais em Genebra confirmaram que os delegados dos EUA deixaram o recinto junto com os israelenses."Em um momento no qual estamos em busca de unidade sobre a Conferência para o Desarmamento, comentários ultrajantes como estes não são úteis", dizia um comunicado da missão americana.

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