EUA e México buscam aliança contra cartéis

Casa Branca vê vizinho do sul sob risco e teme infiltração de grupos criminosos em seu território

Dan Glaister, The Guardian, O Estadao de S.Paulo

10 de março de 2009 | 00h00

Na Casa Branca de Barack Obama, que estuda uma reformulação da guerra contra o narcotráfico empreendida pelo governo do ex-presidente americano George W. Bush, o agravamento da crise no México causa dois tipos de preocupações. O primeiro foi destacado pelo chefe de gabinete, Rahm Emanuel, ao falar sobre a cooperação entre Estados Unidos e México na guerra às drogas. "Queremos impedir que as armas procedentes dos EUA se dirijam para o sul, e impedir que as drogas venham para o norte", afirmou. A segunda preocupação refere-se à migração para o norte de outra mercadoria igualmente nociva: a violência. O anúncio da prisão de 750 pessoas nos EUA, no mês passado, após uma investigação de 21 meses sobre o cartel de droga de Sinaloa, no México, confirma as suspeitas de que os grupos criminosos estão se estabelecendo também nos EUA. Obama foi informado a este respeito, na sexta-feira, pelo comandante do Estado-Maior Conjunto, almirante Mike Mullen, que compara o desafio no México ao combate aos insurgentes no Iraque e no Afeganistão. Os EUA, disse ele, estão preparados para dar todo o "suporte dos serviços secretos, toda a capacidade e as táticas que evoluíram em nossa luta contra as redes do mundo terrorista. Há uma espantosa semelhança entre os dois tipos de luta". Segundo a revista britânica The Economist , os EUA gastam US$ 40 bilhões por ano no combate às drogas ilícitas, de ajuda militar a países como Colômbia à repressão interna ao tráfico.O outro vínculo crucial entre os dois vizinhos é o tráfico de armas. As autoridades mexicanas anunciaram ter apreendido, no ano passado, 20 mil armas dos cartéis da droga. Como a compra de armas no México está sendo bastante dificultada, as autoridades concluíram que a maior parte delas vem dos EUA. A Agência americana para Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos (ATF, na sigla em inglês) calcula que 90% das armas apreendidas no México vêm do norte da fronteira. Das 2.400 procedentes dos EUA, 1.800 vieram de comerciantes de algum dos quatro Estados da fronteira americana, onde operam mais de 6.500 revendedores de armas. FORA DE CONTROLEAo assumir a presidência do México em 2006, Felipe Calderón declarou que o crime organizado estava "fora de controle" e lançou uma ofensiva de 45 mil soldados contra os cartéis. Desde então, 10 mil pessoas morreram por causa do narcotráfico - 6.268 apenas no ano passado. Mais de 58 mil pessoas foram presas e 180, extraditadas para os EUA. IMPACTO90% das armas apreendidas no México vêm dos Estados Unidos45 mil soldados mexicanos foram mobilizados na luta contra os cartéis depois que o presidente Felipe Calderón assumiu o governo, em 200610 mil pessoas morreram no México por causa do narcotráfico nos últimos três anos58 mil pessoas ligadas ao tráfico foram presas no mesmo período

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.