EUA e ONU pedem investigação sobre tráfico tailandês do povo rohingya

A Organização das Nações Unidas e os Estados Unidos pediram nesta sexta-feira investigações sobre informações publicadas pela Reuters, segundo as quais autoridades da imigração tailandesa encaminharam refugiados de Mianmar para redes de tráfico humano.

ANDREW R.C. MARSHALL E JASON SZE, Reuters

06 de dezembro de 2013 | 19h41

A reportagem, publicada na quinta-feira com base em uma investigação de dois meses em três países, revelou uma política clandestina para remover refugiados da etnia rohingya de centros de detenção de imigrantes da Tailândia e entregá-los para traficantes de pessoas que os esperavam no mar.

Os rohingyas, muçulmanos sem pátria, naturais de Mianmar, são transportados através do sul da Tailândia e mantidos reféns em acampamentos escondidos perto da fronteira com a Malásia, até que parentes paguem resgate para libertá-los, apurou a Reuters. Alguns são espancados e outros, mortos.

"Essas alegações precisam ser investigadas com urgência", disse a porta-voz da agência de refugiados da ONU, Vivian Tan, em comunicado. "Nós temos constantemente pedido aos países da região que concedam proteção temporária, incluindo proteção contra abusos e exploração."

O governo norte-americano fez pedido semelhante horas depois.

"Nós estamos cientes dos relatos alegando que autoridades tailandesas estão envolvidas na venda de imigrantes rohingyas para traficantes de pessoas", disse a porta-voz do Departamento de Estado, Marie Harf. "Instamos o governo tailandês a realizar uma investigação séria e transparente sobre esse assunto."

"Nós continuamos profundamente preocupados com a segurança e as condições humanitárias de comunidades vulneráveis em Mianmar, incluindo refugiados e pessoas em busca de asilo nas fronteiras de Mianmar e outras partes da região", acrescentou Marie.

O general Chatchawal, da Polícia Real tailandesa, em Bangcoc, disse no artigo da Reuters que há uma política não oficial de deportação dos rohingyas para Mianmar. Ele qualificou isso de "um meio natural ou opção 2".

Mas ele afirmou que os rohingyas assinaram declarações nas quais dizem que querem retornar a Mianmar. Esses papéis, contudo, foram algumas vezes feitos na ausência de um tradutor da língua rohingya, constatou a Reuters.

"Os detidos também precisam ser informados sobre suas opções em uma língua que compreendam", declarou Vivian, a porta-voz da ONU. "Qualquer decisão de partir tem que ser voluntária, e aqueles que preferem partir têm de ser protegidos de abusos e da exploração de traficantes."

(Reportagem adicional de Amy Sawitta Lefevre)

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