EUA e Otan apoiam diálogo com Taleban

Soldados estariam facilitando o encontro de líderes insurgentes com representantes do governo afegão

AP e REUTERS, O Estado de S.Paulo

15 de outubro de 2010 | 00h00

BRUXELAS

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e os Estados Unidos confirmaram que estão dispostos a oferecer assistência prática para ajudar o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, a buscar a reconciliação com o Taleban. Apesar das apostas no diálogo, ambos acreditam que é preciso manter a pressão militar contra a insurgência.

O secretário-geral da aliança militar ocidental, Anders Fogh Rasmussen, falou sobre a perspectiva de uma negociação de paz um dia depois que uma autoridade do alto escalão da Otan confirmou que soldados estão facilitando contatos entre o governo afegão e integrantes do Taleban. Rasmussen disse que a posição da aliança era a de que "se podemos facilitar esse processo por meio de uma assistência prática, então por que não?"

O secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, disse que existe "uma parceria" do governo americano com Cabul, e Washington deve "fazer o que for necessário" para ajudar no processo de paz. "Sempre reconhecemos que a reconciliação é parte da solução", afirmou, ressaltando que o diálogo deve ser conduzido por Cabul. A secretária de Estado Hillary Clinton pediu cautela sobre o processo de reconciliação. Esse "é um esforço complexo que está apenas começando", disse.

A posição da administração Obama na reconciliação afegã é sensível, porque pode elevar as críticas ao governo. Ao assumir o apoio às negociações com o Taleban, a Casa Branca corre o risco de ser acusada de dialogar com o mesmo grupo radical que promoveu o 11 de Setembro, mas também mostra a vontade do governo americano em encerrar a guerra de mais de nove anos no país.

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