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EUA e Otan dizem não ver sinais de retirada de tropas russas da Ucrânia

Apesar dos anúncios da Rússia de retirada de parte de suas tropas, a Otan disse ver, na verdade, um aumento das forças militares na fronteira

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2022 | 13h20

WASHINGTON - Os Estados Unidos e a Otan disseram nesta quarta-feira, 16, que ainda não viram sinais de retirada das tropas russas de perto da Ucrânia, mesmo quando Moscou disse estar fazendo uma retirada militar parcial. A Otan, na realidade, relatou notar um aumento no número de tropas na fronteira.

O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, disse que o país não viu evidências de uma retirada militar russa significativa das fronteiras ucranianas, um dia depois que o presidente Vladimir Putin disse que a Rússia decidiu retirar "parcialmente" suas forças. Novamente nesta quarta, o Ministério da Defesa da Rússia que está trazendo de volta para as bases mais tropas, equipamentos e armas, e encerrou os exercícios militares na Crimeia.

"Infelizmente há uma diferença entre o que a Rússia diz e o que faz", disse Blinken em entrevista à ABC News. “E o que estamos vendo não é um retrocesso significativo. Pelo contrário, continuamos a ver forças - especialmente forças que estariam na vanguarda de qualquer agressão renovada contra a Ucrânia - continuando em massa na fronteira.”

O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, ecoou a avaliação dos EUA, dizendo que a Rússia continua capaz de “uma invasão completa da Ucrânia sem nenhum aviso prévio”. Stoltenberg disse que no passado a Rússia deslocou tropas enquanto deixava armamento no local.

“Então, o que precisamos ver é uma retirada real das forças, que é duradoura e real, e não que elas movam as tropas”, disse ele. “Mas, novamente, estamos monitorando, realmente esperamos que eles retirem as forças, e essa será a melhor contribuição para uma solução política. E acreditamos que há alguma razão para otimismo cauteloso porque eles declararam tão claramente, pelo menos afirmaram, que estão prontos para uma solução diplomática”.

Além de não ver uma desescalada, o secretário da Otan disse, na verdade, ver um aumento no número de tropas na fronteira. “Não vimos nenhuma retirada das forças russas. E, claro, isso contradiz a mensagem dos esforços diplomáticos”, disse Soltenberg. “O que vemos é que eles aumentaram o número de tropas, e mais tropas estão a caminho. Então, até agora, nenhuma desescalada.”

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, rejeitou a avaliação da Otan sobre os níveis de tropas, dizendo que a aliança não havia feito “uma avaliação sóbria” da situação.

O Ministério da Defesa da Rússia anunciou mais retiradas, dizendo que um trem carregado com tanques, veículos blindados e obuses russos deixou a Crimeia e retornaria às suas bases após a conclusão dos exercícios militares.

Um vídeo do ministério mostrou um trem carregado de veículos blindados atravessando uma vasta ponte construída para ligar a Crimeia e a Rússia depois de anexar a península da Ucrânia em 2014.

Ruslan Leviev, um pesquisador que acompanha os movimentos das tropas russas, disse que o equipamento militar que deixou a Crimeia poderia ser redistribuído em bases próximas ao leste da Ucrânia.

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'Uma resolução diplomática'

Enquanto o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e seu homólogo russo, Vladimir Putin, continuam a se envolver em um perigoso balé sobre o destino da Ucrânia, a nação no centro da crise marcou um novo feriado nacional nesta quarta-feira: o Dia da Unidade.

O presidente Volodmr Zelenski, da Ucrânia, anunciou o feriado - um esforço para reforçar a determinação pública “diante das crescentes ameaças híbridas, informações e propaganda, pressão moral e psicológica” - em resposta a avaliações de inteligência dos EUA no fim de semana que sugeriam que uma invasão russa poderia começar antes do amanhecer desta quarta-feira.

Na terça-feira, o presidente Biden disse que analistas dos EUA dizem que mais de 150.000 soldados russos perto da fronteira ucraniana “continuam em uma posição ameaçadora”.

Mas ele enfatizou que os Estados Unidos continuariam a buscar “uma resolução diplomática”, com base nos dois dias de sinais de Washington e Moscou de que o foco estava mudando, pelo menos no momento, da postura militar para disputas diplomáticas.

No centro dessas discussões está a sugestão de que a Ucrânia pode abandonar sua ambição de se juntar à aliança da Otan - uma medida que ajudaria a cumprir uma das principais demandas de Putin. É um tema politicamente carregado na Ucrânia, mas Zelenski reconheceu que está sendo discutido.

Em um discurso no Parlamento Europeu , Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, disse que por causa das políticas russas os cidadãos da Ucrânia estavam mantendo “bolsas de emergência em suas portas, com roupas básicas e documentos importantes”.

“Outros estocaram latas de comida para se preparar para o pior. Alguns até montaram abrigos em seus porões”, disse ela. “Estas não são histórias da década de 1940. Esta é a Europa em 2022.”

Ela observou que a Rússia enviou sinais conflitantes na terça-feira, anunciando a retirada de tropas mesmo quando o corpo legislativo do país, a Duma, pediu a Putin que reconhecesse formalmente duas regiões separatistas do leste da Ucrânia como repúblicas independentes, possivelmente abrindo caminho para a Rússia enviar mais tropas lá.

Ainda assim, disse ela, havia motivos para um otimismo cauteloso. “A diplomacia ainda não disse suas últimas palavras”, disse ela./NYT

 

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