EUA e Otan encerram missão de combate no Afeganistão

Até o fim de 2015, autoridades americanas dizem que tropas americanas no Afeganistão terá se reduzido para 5.500

O Estado de S. Paulo

08 de dezembro de 2014 | 12h36

Os Estados Unidos e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) fecharam seu comando de combate no Afeganistão nesta segunda-feira, mais de 13 anos após a invasão do país, na esteira dos ataque de 11 de Setembro, com o objetivo de combater a Al-Qaeda e Osama bin Laden.

Derrubando rapidamente o governo do Taleban, que havia abrigado os militantes, a coalizão liderada pelos Estados Unidos logo se viu gastando bilhões de dólares na reconstrução de um país devastado por quase 30 anos de guerra, enquanto a insurgência crescia, na medida em que a invasão e ocupação do Iraque rapidamente atraía a atenção norte-americana.

O Comando Conjunto das Forças Internacional de Assistência para Segurança da Otan, que estava encarregada das operações de combate, baixou sua bandeira nesta segunda-feira e formalmente encerrou suas ações, no mesmo dia em que militantes do Taleban lançaram outro sangrento ataque no país. Como o presidente americano, Barack Obama, permitiu que suas tropas combatam militantes da Al-Qaeda e do Taleban no país no ano que vem, os combates não devem terminar em breve.

Mas com o aumento da participação de tropas locais, houve um crescimento do número de vítimas entre os militares. Neste ano, morreram 4.634 militares afegãos em ação, ante 4.350 em 2013, alta de 6.5%. Para efeito de comparação, cerca de 3.500 militares estrangeiros, dentre eles pelo menos 2.210 soldados norte-americanos, foram mortos desde o início da guerra, em 2001.

Até 10.800 militares americanos permanecerão nos primeiros três meses de 2015, 1.000 a mais do que o previsto anteriormente, informou um funcionário da Otan que falou em condição de anonimato. Como resultado, haverá pouca ou nenhuma queda bruta no número de militares dos Estados Unidos entre agora de 31 de dezembro, quando se encerra formalmente a missão de combate internacional.

Até o final de 2015, porém, autoridades americanas dizem que o total de tropas dos Estados Unidos no Afeganistão terá se reduzido para 5.500 e a quase zero no final de 2016.

O porta-voz do Taleban, Zabihullah Mujahid, disse à Associated Press que seu grupo vai continuar a lutar "até que todas as tropas estrangeiras tenham saído do Afeganistão".

"Os americanos querem estender sua missão no Afeganistão. O motivo é manter a guerra enquanto for possível", disse Mujahid. "E, enquanto eles permanecerem, o Taleban vai continuar sua luta contra as forças estrangeiras e do governo." / AP

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