EUA e Otan enviam soldados e bateria antimíssil à Turquia

Objetivo do reforço militar na fronteira com a Síria é evitar que Assad use armas químicas contra forças rebeldes

DENISE CHRISPIM MARIN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2012 | 02h03

Estados Unidos, Alemanha e Holanda autorizaram ontem o envio de 1,2 mil militares e seis baterias antimísseis Patriot para a Turquia. O objetivo do reforço militar é evitar que o governo da Síria use armas químicas contra as forcas rebeldes. Os recursos adicionais servirão como uma zona de exclusão aérea não oficializada e estarão sob o comando da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

A medida foi tomada um dia depois de o secretário-geral da Otan, o dinamarquês Anders Fogh Rasmussen, ter afirmado estar muito próximo o colapso do regime de Damasco. O secretário de Defesa americano, Leon Panetta, reiterou ontem a avaliação de Rasmussen e assinou a ordem de deslocamento das duas baterias Patriot e de 400 soldados dos Estados Unidos para a Turquia. Ele visitou a base aérea americana de Incirlik, na Turquia.

"Preparamos planos para serem apresentados ao presidente (Barack Obama). Nós precisamos estar prontos", afirmou Panetta, em discurso ao contingente da base, referindo-se sobre a ameaça latente de uso de armas químicas pelas forças sírias. "Esses são tempos desafiadores, tempos difíceis. Vocês estão em um lugar crítico e em uma tarefa crítica", avisou aos militares de Incirlik.

As seis baterias Patriot são consideradas insuficientes para conter uma iniciativa desesperada do regime de Bashar Assad de disparar mísseis Scud carregados de armas químicas contra as forças rebeldes. Somado ao deslocamento das tropas, a presença desse material bélico poderá inibir Damasco enquanto, nos meios diplomáticos, a Otan tenta obter a autorização das Nações Unidas para uma zona de exclusão aérea na Síria.

Os cálculos levam em considerado a demora de três semanas para as tropas e as baterias antimísseis adicionais chegarem à Turquia. A Otan ainda definiu os lugares precisos de instalação dos equipamentos, que serão conectados aos já existentes na região. Instaladas em terra, essas baterias funcionam como sofisticados sistemas de interceptação e destruição de mísseis.

Embora o governo sírio tenha negado o disparo de mísseis Scud contra os rebeldes na última quinta-feira, setores de inteligência da Otan confirmaram o uso deles. Organizações de defesa dos direitos humanos insistem que os Scuds foram carregados com material inflamável. A Casa Branca confirmou a veracidade da informação e condenou a iniciativa de Damasco. O Departamento de Estado afirmou que a escalada de violência é "desproporcional".

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